Paula Felix/Estadão
Paula Felix/Estadão

Novos casos de aids em SP caem 31%, mas crescem entre homens

Balanço do período de 2006 a 2015 mostra que epidemia está concentrada entre rapazes que fazem sexo com outros jovens

Paula Felix, O Estado de S.Paulo

29 Novembro 2016 | 13h59
Atualizado 30 Novembro 2016 | 07h06

SÃO PAULO - O número de novos casos de infecção por HIV na capital caiu ao longo de dez anos, mas praticamente dobrou entre homens de 20 a 24 anos. O levantamento da Secretaria Municipal da Saúde foi divulgado nesta terça-feira, 29, em razão do Dia Mundial de Luta contra a Aids, que será celebrado na quinta-feira, 1º, para marcar 35 anos da descoberta do vírus.

Em toda a cidade, entre 2006 e 2015, a queda foi de 31%. Segundo os dados da Prefeitura, foram notificados 3.027 novos casos de aids em São Paulo há dez anos, ante 2.084 no ano passado. Entre os homens de 20 a 24 anos, o aumento foi de 98,6%. O total de pessoas com aids saltou de 31.682 para 47.990.

“Nós reduzimos de forma bem importante a presença da aids na cidade de São Paulo, mas há uma preocupação com os homens jovens que fazem sexo com outros homens. Isso só reforça a necessidade de aprimorar e intensificar as estratégias que dialogam com essa população”, disse Alexandre Padilha, secretário municipal da Saúde.

Do total de novos casos registrados em 2015, 53,2% eram de homens que fazem sexo com homens, independentemente da faixa etária. Em 2006, a taxa foi de 36,7%. No período, o crescimento de novas infecções nesse grupo foi de 44,9%. 

Esse aumento segue uma tendência nacional. O último levantamento do Ministério da Saúde, divulgado no ano passado, apontou para a alta nesse grupo, passando de 34,9%, em 2005, para 44,9%, em 2014. Jovens do sexo masculino também ganharam destaque no balanço federal – entre pessoas com 20 a 24 anos, a taxa de detecção quase dobrou, passando de 16 para 30,3 casos por 100 mil habitantes no período.

O educador Welton Santos recebeu o diagnóstico quando estava com 24 anos, há dois anos, e contraiu o vírus em um relacionamento estável. “Estava com uma gripe forte que não passava. Comecei a pesquisar e vi que poderia ser (aids). Estava em um relacionamento fixo, que durou nove meses, mas ele não me contou. Comecei o tratamento imediatamente, porque minha carga viral estava alta”, disse Santos.

Atualmente, ele dá orientações para pessoas que recebem o diagnóstico e disse que tem notado o aumento de casos entre homens jovens. “Tem a questão da confiança e de não usar preservativo por não gostar. Também pensam que só vão tomar um comprimido por dia, mas, na verdade, é um comprimido para o resto da vida.”

Epidemia. No caso do sexo feminino, houve redução em quase todas as faixas etárias e o crescimento foi registrado apenas entre mulheres com mais de 70 anos – alta de 59%. “O que a epidemia está mostrando é que, enquanto para as mulheres, há uma diminuição importante, para os homens o movimento é diferente, as taxas estão crescendo. Isso é uma tendência”, disse Eliana Battaggia Gutierrez, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids.

Médico do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, Francisco Ivanildo de Oliveira Júnior afirmou que as políticas de prevenção não devem ter como foco apenas o uso de preservativo. “Seria bom poder mudar o comportamento, mas o uso da camisinha não é consistente. A prevenção precisa englobar as profilaxias pré e pós-exposição e o diagnóstico precoce.”

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