Novos tratamentos aumentam chances de cura do linfoma não Hodgkin
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Novos tratamentos aumentam chances de cura do linfoma não Hodgkin

Diagnóstico desse tipo de câncer duplicou nos últimos 25 anos

Zodiac, Estadão Blue Studio
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19 de dezembro de 2021 | 08h00

Ao longo de todo o ano de 2020, cerca de 12 mil brasileiros foram diagnosticados com linfoma não Hodgkin, aponta estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Essa doença é mais comum em homens do que em mulheres – no ano passado, foram 6.580 homens e 5.450 mulheres diagnosticados com esse tipo de câncer, que é o linfoma mais comum, respondendo por 80% dos casos registrados.

O linfoma não Hodgkin se inicia nos linfócitos, as células brancas do sangue. Elas fazem parte do sistema imunológico do corpo e, como as demais células sanguíneas, são “fabricadas” na medula óssea e circulam pelo sistema linfático. “São células que nos defendem contra infecções e, ironicamente, contra tumores”, explica a dra. Danielle Leão, hematologista e pesquisadora clínica da BP – A Beneficência Portuguesa.

Embora não esteja entre os cânceres de maior incidência no País – é o oitavo mais frequente nos homens e o nono nas mulheres –, o linfoma não Hodgkin é um problema crescente. Os pesquisadores ainda não sabem precisar o motivo, mas os casos desse tipo de câncer duplicaram nos últimos 25 anos, especialmente entre pessoas acima dos 60 anos de idade. E, apesar de ser mais comum em adultos, o linfoma não Hodgkin também pode afetar crianças e adolescentes.

A oncologista e hematologista do Grupo Oncoclínicas no Rio de Janeiro, dra. Adriana Scheliga, explica que é a proliferação anormal de células linfoides dentro do sistema linfático que leva ao inchaço dos gânglios – sintoma típico da doença. Diferentemente de outros cânceres em que as células cancerígenas podem ou não se espalhar pelo corpo do paciente, os linfócitos “doentes” já estão circulando pelo organismo daqueles que têm linfoma não Hodgkin. É por isso que não se fala em metástase, mas sim em estadiamento da doença, explica a médica. “É [uma classificação] diferente da que é usada para tumores sólidos.” Desenvolvida no começo da década de 1970, a classificação de Ann Arbor estabelece os quatro estágios da doença.

E, ao contrário de grande parte dos cânceres, os linfomas não são operáveis. “Você pode remover o gânglio, mas, como as células cancerosas já estão espalhadas, não é isso que cura a doença”, pontua a dra. Danielle.

Subtipos do linfoma não Hodgkin

O tratamento do linfoma não Hodgkin está atrelado ao subtipo ao qual a doença pertence, e essa classificação é feita de acordo com o tipo de linfócito afetado (células B, T ou NK) e de quão maduras as células estavam quando se tornaram cancerosas. Segundo a dra. Adriana, são mais de 70 subtipos de linfoma não Hodgkin descritos, mas esse número pode aumentar. “A classificação mais recente é de 2016, e a Organização Mundial da Saúde está para publicar uma atualização”, revela. A médica explica que cada subtipo demanda um protocolo específico de tratamento, por isso é essencial que seja feita a biópsia do linfonodo do paciente. 

Os tipos de linfoma não Hodgkin também podem ser classificados com base na rapidez com que a doença avança, ou seja, entre os linfomas “agressivos”, que se manifestam em semanas, e os “indolentes”, que levam meses e às vezes até anos para se desenvolver e dar sinais.

Segundo a dra. Danielle, os tipos agressivos exigem que o tratamento comece mais rapidamente. É o caso, por exemplo, do chamado linfoma de células do manto (LCM), uma forma rara e agressiva do linfoma não Hodgkin. Esse tipo de câncer representa de 5% a 10% de todos os casos diagnosticados e é quatro vezes mais comum entre homens com idade média de 60 anos. Apesar de as doenças agressivas serem mais preocupantes, são mais fáceis de diagnosticar, porque os sintomas estão  mais evidentes, e as chances de cura são maiores. “Quando o índice de proliferação é alto, a chance de resposta à abordagem terapêutica inicial é maior”, explica a dra. Adriana. “Já os linfomas indolentes tendem a voltar várias vezes e podem ficar resistentes [ao tratamento]”, pontua.

Embora os protocolos variem em função do subtipo específico de linfoma não Hodgkin, a primeira linha de tratamento é, em geral, a quimioterapia, que utiliza medicamentos extremamente potentes com o objetivo de destruir, controlar e inibir o crescimento das células doentes.

No entanto, já há medicamentos que agem especificamente sobre as alterações nas células que provocam o linfoma não Hodgkin, e esse tratamento é chamado de terapia-alvo. “A quimioterapia ataca todas as células que estejam se proliferando rapidamente, já as terapias-alvo agem sobre mecanismos específicos das células de interesse”, explica a dra. Danielle.

A terapia-alvo usa drogas para agir especificamente nas células cancerígenas, provocando menos danos às células normais. A dra. Adriana descreve a evolução dos tratamentos dos linfomas nas últimas décadas como “extraordinária”. Com um maior entendimento dos pesquisadores sobre as alterações provocadas por esse tipo de câncer nas células do sistema linfático, a expectativa é que mais medicamentos sejam desenvolvidos, tendo em vista agir especificamente sobre essas modificações, oferecendo tratamentos cada vez mais customizados e com menos efeitos colaterais.

Como o linfoma não Hodgkin se manifesta?

É observado o aumento  dos gânglios linfáticos, geralmente no pescoço, virilha ou axila. Diferentemente do que acontece em infecções comuns, no caso do linfoma não Hodgkin esses gânglios permanecem aumentados por bastante tempo e não ficam doloridos. Além disso, é comum ter febre baixa no final da tarde, perda de peso, sudorese noturna exagerada, coceira pelo corpo e fadiga.

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