Número de casos de dengue duplica em menos de 20 dias

Dados do governo mostram ainda de 6 a 27 de fevereiro, o número de mortes provocadas pela doença passou de 9 para 51

Lígia Formenti e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

29 Março 2016 | 19h36

BRASÍLIA - O número de casos de dengue no Brasil duplicou em menos de 20 dias. Boletim do Ministério da Saúde mostra que foram identificados até o dia 27 de fevereiro 396.582 pacientes com suspeita da infecção. No dia 6, eram 170.103 registros. Oito Estados já apresentam epidemia da doença: Acre, Tocantins, Rio Grande do Norte, Minas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

O Estado adiantou há dez dias os números até a primeira semana de março – são quase 100 mil casos a mais em apenas uma semana, considerando o registro de ontem. O País tem 495.266 relatos, alta de 46% em relação a 2015.

A explosão não ocorreu apenas no número de casos. Indicadores mostram que em 20 dias mortes provocadas pela doença passaram de 9 para 51. Casos de dengue grave, por sua vez, saltaram  de 27 para 91, também no mesmo período.

O comportamento da epidemia neste ano destoa do histórico da doença, que chegou ao País na década de 1980. Até agora, anos de grandes epidemias eram sucedidos por um período de calmaria. Algo que era atribuído por especialistas ao fato de que, passado um período de grande transmissão, haveria uma redução do número de pessoas suscetíveis ao vírus, transmitido pelo Aedes aegypti. Não foi o que ocorreu agora. O vigor da transmissão do número de casos é inédito. Some-se a isso o fato de que o vírus de maior circulação, o subtipo 1, é o mesmo que o identificado no ano passado.

“Era de se esperar uma redução neste ano”, afirma o professor do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal de Goiás, João Bosco Siqueira Júnior. O diretor do departamento de Vigilância em Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Cláudio Maierovitch, também reconhece que o comportamento da doença em 2016 foge dos padrões.

Não está descartada a possibilidade de que o crescimento inesperado dos indicadores seja fruto de erros na identificação da doença. Estariam sendo contabilizados como dengue casos de zika, doença que foi identificada no País ano passado e que já atinge todos os Estados brasileiros. “Há essa possibilidade. Daí a necessidade de vigilância, da realização de testes para que possamos, num espaço de tempo razoável, verificar o que de fato está ocorrendo”, completou o professor.

Uma das grandes preocupações é a de que esse número de casos ocorra num ano em que foram reforçadas as ações de combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti. No fim do ano passado, quando o número de casos de microcefalia aumentou de forma expressiva, teve início uma mobilização nacional para redução do número de criadouros de Aedes aegypti, vetor tanto da dengue quanto de zika e chikungunya. 

Em dezembro, foi lançada uma ação para tentar visitar todas as residências do País para a localização e combate aos focos do mosquito. Salas de situação foram montadas, agentes de saúde e de endemias, além de integrantes das Forças Armadas mobilizados para atuar em atividades de prevenção. As estatísticas mostram que, até o momento, o esforço ainda não surtiu resultados.

“As altas temperaturas registradas no ano passado propiciaram o aumento dos criadouros”, disse Maierovitch. Além da quantidade de focos, Mairovitch cita o próprio ciclo de vida do mosquito como explicação para os indicadores elevados da doença. “Esperamos que o número de casos comece a cair a partir das duas primeiras semanas de abril”, disse.

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