Agência Brasil
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Número de casos de dengue no Brasil sobe 162%; SP puxa alta

Foram registrados no País 224,1 mil casos da doença em 2015; 19 capitais estão em situação de alerta ou risco para a dengue

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

12 Março 2015 | 13h57

Atualizada às 21h42

BRASÍLIA - O Brasil registrou, até o dia 7 deste mês, 224,1 mil casos de dengue (mais de 140 por hora), aumento de 162% em comparação com igual período de 2014. São Paulo é o Estado que apresenta maior número de casos e mortes. Foram 35 óbitos, o equivalente a 67% do País, e 123.738 pessoas infectadas pelo vírus. O novo mapa da dengue, divulgado nesta quinta-feira, 12, pelo Ministério da Saúde, mostra que 340 municípios brasileiros estão em situação de risco para a ocorrência de epidemias e 877, em alerta. 

Quando comparado com o indicador da semana passada, o salto nacional foi de 22% nos casos. No boletim anterior, até 28 de fevereiro, haviam sido registradas 174,6 mil infecções. O ministro da Saúde, Arthur Chioro, atribuiu o aumento sobretudo à seca e, em consequência, ao aumento do armazenamento de água em domicílio. A incidência (casos por 100 mil habitantes) é de 281 no Estado de São Paulo - muito superior à taxa de 35,4 apresentada ano passado e a terceira maior do País. Acre, o campeão, tem 695,4 casos por 100 mil e Goiás, 401 por 100 mil.

O avanço da dengue foi generalizado. Apenas cinco Estados apresentaram números inferiores aos de 2014. Chioro não descartou o risco de a doença atingir neste ano o mesmo patamar de 2013, o pior já relatado. “Não é possível antever”, disse. Tradicionalmente, os meses de maior transmissão são março e abril. “Daí a necessidade de redobrar os esforços para reduzir os criadouros”, ressaltou. 

Os dados revelados no Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa) não são animadores. O número de capitais brasileiras em situação de alerta ou de risco para dengue subiu para 19 neste início de ano. No ano passado, eram 17. O trabalho, feito com base no número de criadouros do mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, mostra também que 66% das cidades analisadas estão em situação de risco ou alerta. Os municípios classificados como de risco apresentam larvas em mais de 3,9% dos imóveis pesquisados. Entre 1% e 3,9% é considerado estado de alerta.

Para Chioro, o resultado do LIRAa confirma o temor do ano passado de que, com o aumento da seca em várias regiões do País, o número de casos da doença e de criadouros aumentaria. No Nordeste, a maioria dos criadouros do Aedes aegypti foi encontrada em depósitos de água: 76,5% - em 2014, 75,3% dos focos do mosquito foram identificados em recipientes usados para armazenamento de água. No Sudeste, o número de focos em depósitos de água subiu de 15,7% para 21,7%. Apesar do aumento expressivo, depósitos domiciliares (52,6%) e lixo (25,7%) são ainda os principais criadouros. No Norte, recipientes usados para armazenar água foram responsáveis por 24,5% dos criadouros, no Centro-Oeste, 24,2%, e, no Sul, 14,8%. 

Epidemia. O Nordeste apresenta o maior número de cidades com risco de epidemia da dengue: 171. Em seguida, vêm o Sudeste, com 54, e o Sul, com 52. Na Região Norte, 46 cidades apresentaram essa classificação e no Centro-Oeste, 17. 

Além das ações de controle do mosquito, Chioro voltou a reforçar a necessidade de as cidades se prepararem para o atendimento de pacientes. “Não há por que haver morte por dengue”, disse o ministro. Até agora, foram registrados 52 óbitos no País. No mesmo período do ano passado, foram 76. “Mas é possível reduzir. É preciso providenciar atendimento rápido, hidratar, ficar atento aos sinais de alarme, como dor abdominal”, disse. Adotando tom conciliador, o ministro não quis apontar culpados para os indicadores deste ano. “É preciso pensar no que fazer: organizar o atendimento e treinar profissionais. E a população deve procurar criadouros em casa.”

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