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Número de casos suspeitos de febre amarela quintuplica em Minas Gerais

Segundo o governo do Estado, 110 pacientes apresentaram sintomas da doença; número de óbitos também subiu para 40

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

12 Janeiro 2017 | 18h30

BRASÍLIA - O número de casos suspeitos de febre amarela em Minas Gerais quintuplicou em três dias. Na tarde desta quinta-feira, 12, a Secretaria de Saúde do Estado informou haver 110 pacientes com sintomas da infecção. Desse grupo, 20 já apresentam exames laboratoriais positivos para a doença e, por isso, são considerados como casos prováveis. Na segunda-feira, o número de pacientes com suspeita de febre amarela era de 23. 

A velocidade de expansão das mortes relacionadas à infecção também é expressiva. Agora, são 40 óbitos com suspeita de terem sido provocados pela doença. Na segunda, a Secretaria de Saúde informava haver 14. Das 40 mortes, 10 já são consideradas prováveis de terem sido provocadas pelo vírus. Elas ocorreram nas cidades de Piedade de Caratinga (3), Ladainha (3), Ubaporanga (1), Ipanema (1), Itambacuri (1) e Malacacheta (1).

Ao todo, 21 municípios mineiros notificaram algum registro relacionado à febre amarela: mortes e casos suspeitos entre humanos ou em macacos. Equipes do Ministério da Saúde estão na região, para auxiliar técnicos locais nas ações de combate e contenção de casos. Entre as medidas adotadas estão a vacinação da população das áreas consideradas de risco. A cobertura vacinal em Minas Gerais é considerada baixa. Cerca de 53% da população é vacinada contra febre amarela.

Uma nova reunião com Ministério da Saúde está prevista para esta sexta-feira, 13. A expansão dos casos em Minas deixou em alerta autoridades sanitárias de várias partes do País. A   superintendente de Vigilância e Proteção à Saúde da Bahia, Ita Cunha afirmou ao Estado ter deslocado uma equipe de vigilância para áreas de fronteira com Minas e Goiás. "Em Minas, em razão do aumento de casos entre a população. Em Goiás, em virtude dos registros de casos de mortes em macacos", explicou Ita. Ela afirmou que a secretaria não descarta a possibilidade de ampliar a recomendação de vacinação contra febre amarela em municípios baianos, sobretudo nas regiões próximas de áreas de risco de outros Estados.

No Espírito Santo, a vigilância também está redobrada. Embora o Estado seja considerado fora de risco para febre amarela, foram notificadas mortes de 10 macacos, em duas cidades: Colatina (às margens do Rio Doce) e Ibatiba, na região serrana do Estado. Não há ainda confirmação se as mortes estão relacionadas à febre amarela. Técnicos foram deslocados para a região para avaliar a situação. Somente depois dos resultados, representantes da secretaria do Estado e integrantes do Ministério da Saúde vão definir se há necessidade de se passar a recomendar vacinação em áreas próximas.

PARA ENTENDER A FEBRE AMARELA

O vírus de febre amarela nunca deixou de circular no Brasil na forma silvestre. A cada ciclo de aproximadamente 7 anos, no entanto, há um aumento de casos em áreas que ultrapassam a região da Amazônia. O coordenador de Controle de doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, o infectologista Marcos Boulos, afirma que o fenômeno está associado a mudanças na população suscetível. Nascem indivíduos que nunca tiveram contato com o vírus, pessoas passam a morar em áreas consideradas de risco para a doença e não são imunizadas, macacos (que são hospedeiros do vírus) se deslocam de suas áreas naturais para locais onde a oferta de comida é mais farta - mais próximos, por isso, de humanos.

A última onda de casos em humanos ocorreu em 2009, quando a doença atingiu o Rio Grande do Sul, Estado que por 42 anos estava livre da doença. Na ocasião, 13 casos foram confirmados, com seis mortes. 

Os primeiros sinais de que a febre amarela estava novamente ultrapassando a região amazônica começaram em 2014. Foi nesse período, de acordo com o Ministério da Saúde, que o País passou a ter uma "reemergência" da doença. Desde então, entre 2015 e 2016, foram confirmados 15 casos, com 10 mortes. As notificações foram feitas em Goiás, Pará, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Pará e São Paulo. 

A maior parte dos casos ocorre entre os meses de dezembro e maio, quando as temperaturas aumentam, as chuvas tornam-se mais intensas e os mosquitos transmissores do vírus, o Haemagogus, estão mais presentes. Desde a década de 40, a forma urbana da doença não é registrada no País. Mesmo assim, infectologistas não escondem o receio de que a forma urbana de transmissão seja retomada. Isso porque o vírus da doença é também transmitido pelo Aedes aegypti, mosquito presente em todas as regiões do País. Além do vetor em abundância, a febre amarela, em sua forma grave, apresenta altas taxas de letalidade. Cerca de 50% dos doentes que têm o quadro mais grave morrem, em menos de duas semanas.

Um dos melhores indicadores para se verificar a circulação do vírus da febre amarela pelo País é a morte entre macacos. Os primatas são considerados hospedeiros da doença. Assim como os humanos, esses animais podem carregar o vírus e não apresentar sintomas. Parte deles, no entanto, desenvolve a doença e morre. A vigilância dos animais, no entanto, não é tarefa fácil. Um último levantamento do Ministério da Saúde mostrava que, no período entre 2014 e 2016 foram notificados 898 casos de mortes de primatas. Desse total, 49 foram confirmados para febre amarela. 

Ao contrário do que ocorre com zika e chikungunya, a febre amarela pode ser evitada com vacinação. O imunizante está disponível na rede pública. Adultos devem tomar duas doses na vida, com intervalo de 10 anos entre as aplicações. A vacina deve ser usada por pessoas que vivem em áreas consideradas de risco ou por aqueles que pretendem viajar para áreas assim classificadas.

A cobertura vacinal no Brasil atualmente é de 62%. Os indicadores, no entanto, variam muito de Estado para Estado. Em Roraima, por exemplo, a cobertura é de 99%. Em Minas, que vive agora um surto da doença, a cobertura não ultrapassa os 53%. 

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