Nº de casos suspeitos de microcefalia dobra em uma semana no Rio

Foram identificados 45 bebês com a suspeita da má-formação; até a semana passada, eram 23

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

09 Dezembro 2015 | 15h28

Atualizada às 20h49

RIO - O número de casos de microcefalia no Rio praticamente dobrou em uma semana. Até esta quarta-feira, 45 bebês haviam sido diagnosticados com a má-formação no cérebro, 36 deles já nascidos e 9 ainda em gestação. Quinze mulheres relataram histórico de manchas vermelhas pelo corpo durante a gravidez. O Estado tinha 23 casos de microcefalia até o dia 2. Ao longo de 2014, o Rio teve dez bebês diagnosticados.

Ainda não é possível estabelecer conexão entre o zika vírus e a microcefalia. “Os casos ainda estão sendo investigados. É um processo lento, envolve entrevistas, pesquisa de prontuário e exames laboratoriais. Não é fácil fazer essa correlação por causa do curto tempo em que o vírus permanece no organismo”, afirmou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Alexandre Chieppe. “Microcefalia tem diversas causas, como doenças infecciosas, consumo de drogas e alterações genéticas.” 

Estão em acompanhamento os diagnósticos ocorridos depois de maio, quando o vírus passou a circular no Estado, e crianças nascidas com perímetro cefálico menor ou igual a 32 centímetros, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A secretaria não informou quais são os municípios com registros do problema.

Convivência. Desde que a secretaria tornou obrigatória a comunicação de grávidas com manchas vermelhas no corpo (sintoma comum a várias viroses), em 18 de novembro, o órgão recebeu 341 notificações. Os exames de sangue de quatro mulheres deram positivo para zika. Os filhos delas não têm, até o momento, diagnóstico de microcefalia. As notificações de grávidas com manchas no corpo foram feitas em todas as regiões do Estado, com exceção do Centro-Sul Fluminense. 

“Isso não quer dizer que não haja casos de zika ali. Só é obrigatória a notificação da gestante com manchas. O Estado todo está em atenção para zika”, afirmou o secretário de Saúde, Felipe Peixoto. 

Os moradores da Rua Domingos Segreto, na Ilha do Governador, zona norte do Rio, têm convivido com casos de zika no último mês. Os dois filhos e a nora de Wanda Katia Matos Pinto, de 51 anos, tiveram a doença. Para evitar os mosquitos, ela esvaziou o aquário que ficava no jardim da casa. “Mas, mesmo assim, a casa está infestada. Coloco inseticida o dia inteiro.”

A poucos metros da casa dela, funciona o Centro Educacional Governador, em que pelo menos uma professora e cinco alunos também adoeceram. A professora Rosilene Silva Costa, de 43 anos, teve os primeiros sintomas em 30 de novembro. “Tive inflamação nas articulações. Era tanta dor que, para me deitar, eu me sentava na cama e meu marido tinha de levantar as minhas pernas, porque eu não conseguia suspendê-las.”

Mais conteúdo sobre:
Rio de Janeiro

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.