Número de casos vai explodir e dinheiro necessário para conter ebola será 20 vezes maior

Nabarro alertou à Assembleia Geral da ONU que deve haver mobilização em massa todos os países e entidades para tornar a doença sob controle

Agências internacionais

10 Outubro 2014 | 14h20

Os casos de ebola provavelmente devem dobrar a cada três ou quatro semanas, gerando um custo 20 vezes maior do que era no começo de outubro para controlar o rápido avanço do vírus mortal, afirmou nesta sexta-feira, 10, o coordenador da missão de reação ao Ebola da Organização das Nações Unidas (ONU), David Nabarro.

Nabarro alertou à Assembleia Geral da ONU que sem mobilização em massa de todos os países, organizações doadoras e grupos não-governamentais para apoiar os países afetados na África ocidental, "será impossível tornar a doença sob controle rapidamente, e que o mundo terá de viver com o vírus da Ebola para sempre". Nabarro afirmou que em seus 35 anos como médico de saúde pública, lidando com muitos surtos de doenças e algumas pandemias, ele nunca encontrou um desafio como o Ebola, já que o surto tem migrado de áreas rurais para as cidades e está "afetando toda uma região e...causando impacto em todo o mundo".

Inimigo "invisível". O piloto e Capitão Chris Legere colocou tropas no Afeganistão e voou para a Líbia para evacuar o pessoal da embaixada dos Estados Unidos, mas agora enfrenta um inimigo silencioso e invisível: Ebola. Legere faz parte de uma missão norte-americana de até 4 mil soldados que ajudarão a conter o surto da febre hemorrágica que o presidente Obama chamou de "ameaça à segurança global". A doença, que não tem cura, já matou perto de 3.900 pessoas na África Ocidental, mais da metade na Libéria, nação formada por escravos americanos libertos. A doença também chegou aos EUA e à Espanha. 

Legere afirmou que trabalhar em uma zona "quente" do Ebola é diferente de tudo que já havia feito antes, mas que as tropas já tinham sido bem instruídas a respeito dos perigos do vírus, que é transmitido por fluídos corporais e já matou mais da metade das pessoas que infectou. "Nós tentamos não pensar sobre isso. Pensamos mais sobre o bem que podemos oferecer para essas pessoas", disse o piloto.

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