Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Número de mortes por febre amarela na Grande SP sobe para 3

Estado vai fracionar vacina em fevereiro para que haja doses; médico recomenda que população busque imunização

Paula Felix e Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2018 | 11h02
Atualizado 08 Janeiro 2018 | 22h20

BRASÍLIA E SÃO PAULO - O total de mortes por febre amarela na Grande São Paulo subiu para três após a confirmação do óbito de um morador de Guarulhos, infectado pelo vírus em dezembro. As doses fracionadas da vacina contra a febre amarela para a imunização de toda a população do Estado de São Paulo devem começar a ser aplicadas no próximo mês, segundo a Secretaria de Estado da Saúde. Desde janeiro do ano passado, foram relatados 29 casos autóctones da doença e 13 mortes no Estado.

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Na sexta-feira, foram confirmadas as duas primeiras mortes na região metropolitana. E a internação de uma paciente de 27 anos, também com a doença, que passou por transplante. Segundo a Secretaria Municipal de Guarulhos, o paciente que morreu tinha 69 anos e possuía uma chácara em Nazaré Paulista, perto da divisa de Mairiporã

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A secretaria disse que ele foi duas vezes para o local em dezembro e começou a apresentar os sintomas no dia 18. No dia 20, foi internado em um hospital na zona leste da capital. Morreu cinco dias depois. “Foram solicitados exames para leptospirose e febre amarela. Só na sexta a família foi informada do resultado”, informou a pasta.

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A vacinação contra o vírus foi intensificada na cidade e, no sábado, três Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram abertas para a campanha de imunização. Segundo a secretaria, 292,8 mil doses foram aplicadas em Guarulhos até esta segunda-feira, 8.

Em Mairiporã, conforme a Secretaria Municipal de Saúde local, ainda estão em investigação 25 casos suspeitos de febre amarela - em 9 os pacientes morreram - desde o dia 13. Para o secretário estadual de Saúde, David Uip, o surgimento de casos era esperado. “Estávamos monitorando a morte de primatas não humanos há dois anos”, diz ele, que atribuiu o avanço do vírus a desequilíbrios ecológicos.

Coordenador de Controle de Doenças da secretaria estadual, Marcos Boulos diz que, a partir do próximo mês, haverá o fracionamento da vacina. “Mas a vacinação já estava sendo feita e não paramos de vacinar.”

Segundo Boulos, o processo ocorre em etapas, com a prioridade passando das áreas com maior risco de infecção, onde há a circulação do vírus, para as regiões onde a doença pode chegar, a exemplo da região da Serra do Mar. “Onde não tem a emergência total vai ser a última a receber a vacina.” Um exemplo deste caso seria a região central da capital. Além de São Paulo, Rio e Bahia também devem fracionar o imunizante. 

A vacina fracionada deverá ter selo diferenciado. Ele é necessário para que, no futuro, seja definido o período em que a pessoa deve receber dose de reforço. Feita com um décimo do conteúdo da vacina integral, a fracionada oferece o mesmo grau de imunização. A diferença, porém, é a duração dessa proteção. A estimativa é de que, com o imunizante fracionado, esse prazo seja de nove anos. A vacina integral, por sua vez, protege a vida toda.

A confirmação das mortes, porém, pode mudar a decisão previamente tomada pela secretaria de se abrir os parques estaduais - o Horto, o da Cantareira e o Ecológico do Tietê - fechados por precaução desde outubro, quando foram identificadas mortes de macacos com suspeita de infecção. 

 

Alerta

Jessé Alves, da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que, embora a população brasileira seja receptiva à vacinação, é preciso que as pessoas passem a entender a importância de se vacinar ao viajar para áreas com alerta para a doença.

“A febre amarela, na situação atual, já está em uma região que é periurbana. Viajar não é só pegar um avião e um ônibus, mas entrar em um ambiente que é diferente do seu habitual. Ao ir para matas e zonas de reservas florestais, é preciso estar vacinado”, destaca Alves. 

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