Número de transplantes em São Paulo cresceu 26,7% em 2008

Média foi de 21 transplantes por dia, quase um por hora, liderados pelas cirurgias de córneas, com 6.198 casos

Anne Warth, da Agência Estado,

17 Fevereiro 2009 | 17h45

O número de transplantes de órgãos e tecidos no Estado de São Paulo a 7.683 em 2008, um aumento de 26,7% na comparação com as cirurgias realizadas em 2007. A média foi de 21 transplantes por dia, quase um por hora, liderados pelas cirurgias de córneas, com 6.198 casos. Em seguida, aparecem os transplantes de rim (812), fígado (430), pâncreas (122), coração (74) e pulmão (47). Somente em janeiro, foram realizados 167 transplantes, 52% a mais que as 110 cirurgias do mesmo mês de 2008.   Veja também:  Cresce o número de transplantes no País   Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde e divergem dos dados federais do Ministério da Saúde, que anunciou um total de 8.687 transplantes para o Estado em 2008. Grande parte da diferença - de 1004 operações - pode ser explicada pelo fato da Secretaria Estadual não contabilizar os transplantes de medula óssea, que são consideradas tecidos e não órgãos, e que totalizaram 732 no ano passado.   Ainda assim, há discrepâncias entre os números estaduais e federais. Como nos transplantes de rim (812 pelo Estado e 1.006 pelo Ministério) e nos transplantes de fígado (433 pelo Estado e 499 pelo Ministério).   A Secretaria Estadual de Saúde premiou, nesta terça-feira, 17, os oito hospitais responsáveis por 45% dos transplantes realizados no ano passado no Estado - Hospital das Clínicas de São Paulo, Instituto do Coração, Hospital Albert Einstein, Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina, Hospital das Clínicas de Campinas, Hospital Oftalmológico de Sorocaba, Beneficência Portuguesa e Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Também foram homenageados, no quesito captação de doadores, a Santa Casa de São Paulo e o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.   "É o nosso recorde", comemorou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). "São Paulo tem pouco mais de um quinto da população brasileira, mas tem realizado mais de 50% dos transplantes." Segundo ele, o Brasil só é superado pelos Estados Unidos em número de transplantes no mundo.   Na avaliação do governador, além de convencer as famílias a doarem órgãos, a remuneração da instituição que faz a captação é fundamental para que o número de transplantes aumente no País. "É preciso haver incentivo para isso também porque é uma cirurgia complexa. Retirar um órgão não é uma coisa trivial", explicou.   Serra elogiou a família da adolescente Eloá Pimentel, assassinada pelo namorado Lindemberg Alves no ano passado em Santo André, no ABC paulista. A família decidiu doar os órgãos da menina e beneficiou três pacientes, que também participaram do evento: Maria Augusta dos Anjos, que recebeu o coração da adolescente, Emerson Gentil Dardes, que recebeu o pâncreas e os rins, e Lívia Amodio Novais, que recebeu as córneas.   "A doação é fundamental, e um bom exemplo é a família da Eloá, que apesar da tragédia, e no meio daquela tragédia, uma coisa tão sofrida, imediatamente se dispôs a fazer as doações", ressaltou.   O governador disse ser impossível chegar à meta da "fila zero" para todos os tipos de transplantes, mas citou que, no caso de córneas, já não há filas na capital paulista, em Santos e em Sorocaba. Segundo o secretário estadual de Saúde, Luiz Roberto Barradas Barata, o objetivo em 2009 é chegar à fila zero para transplantes também no interior paulista.

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