Ritzau Scanpix/via REUTERS
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Número diário de mortes pela covid-19 deve aumentar em outubro e novembro, diz diretor da OMS

Alta da mortalidade deve ser consequência dos novos surtos do coronavírus na Europa; segundo Hans Kluge, não é possível afirmar que a vacina será eficaz para todos

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2020 | 03h43

COPENHAGUE - A pandemia do novo coronavírus vai ser "mais difícil em outubro e novembro", período em que os registros diários de mortes devem aumentar, segundo o diretor europeu da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hans Kluge. A declaração foi feita à AFP no momento em que a Europa registra aumento de casos de covid-19. A taxa de mortalidade, no entanto, se mantém estável.

A alta da mortalidade diária será a consequência dos novos surtos do coronavírus no continente europeu, disse a OMS. "Neste momento, os países não querem escutar este tipo de má notícia e eu entendo", afirmou Kluge, que ao mesmo tempo quis reforçar uma "mensagem positiva" de que a pandemia "vai ser controlada em um momento ou outro".

Nesta segunda-feira, o braço da OMS na Europa reúne os países-membros da União Europeia para discutir a resposta à pandemia e elaborar uma estratégia quinquenal

"Ouço o tempo todo que 'a vacina vai ser o fim da pandemia'. Claro que não!", disse Kluge. "Nem sequer sabemos se a vacina vai ser eficaz para todos os setores da população. Recebemos alguns sinais de que será eficaz para alguns, mas não para outros".

"Se tivermos que encomendar vacinas diferentes será um pesadelo logístico", afirmou o diretor da OMS. "O fim desta pandemia acontecerá no momento em que, como comunidade, teremos aprendido a viver com ela. E isso depende de nós. É uma mensagem muito positiva."

O número de casos diários aumenta em grande velocidade há várias semanas na Europa, particularmente na Espanha e na França. Na sexta-feira, 11, os 55 membros da União Europeia registraram 51 mil novos casos, número superior ao alcançado nos picos de abril, segundo dados da OMS.

Mesmo assim, o número diário de mortes pela covid-19 se manteve entre 400 e 500, como no início de junho.

De acordo com o levantamento mais atualizado da Universidade Johns Hopkins, nesta segunda-feira, 14, o mundo registra 924.814 mortes e tem 29.026.240 casos da doença.  

Situação do Brasil

O Brasil se tornou neste domingo, 13, o país do G-20, o grupo das 20 principais economias mundiais, com o maior coeficiente de mortalidade por covid-19, com 613,46 mortes por milhão de habitantes, de acordo com os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Em nono nesse ranking no mundo, o País superou o Reino Unido e se aproxima do Equador (com 614,18). O coeficiente de mortalidade é calculado dividindo o número total de óbitos pela covid-19 no país pelo número total da população.

Balanço mais recente do consórcio de veículos de imprensa formado por Estadão, G1, O Globo, Extra, Folha e UOL em parceria com 27 secretarias estaduais de Saúde mostra que média móvel de mortes por covid-19, que registra as oscilações dos últimos sete dias e elimina distorções entre um número alto de meio de semana e baixo de fim de semana, ficou em 711 neste domingo, 13. Segundo o consórcio de veículos de imprensa, foram registrados 389 novos óbitos nas últimas 24 horas e 14.294 casos. No total são 131.663 mortes registradas e 4.330.152 pessoas contaminadas no Brasil, segundo o levantametno. / com AFP

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