Luiz Eduardo Anelli-Divulgação
Luiz Eduardo Anelli-Divulgação

O espaço é a fronteira final para a evolução, afirma estudo

'Espaço vital', e não competição, seria expliação para ascenção de mamíferos após extinção de dinossauros

BBC, BBC

24 de agosto de 2010 | 10h05

Charles Darwin poderia estar errado quando ele argumentou que a competição foi a principal força motriz da evolução.

  

Ele imaginou um mundo em que os organismos lutaram pela supremacia e somente os mais aptos sobreviveram.

 

Mas uma nova pesquisa identifica a existência de um "espaço vital", em detrimento da concorrência, como sendo de importância fundamental para a evolução.

 

Novas evidências questionam o velho ditado de "natureza é vermelha em dentes e garras".

 

O estudo realizado pela doutoranda Sarda Sahney e colegas da Universidade de Bristol, foi publicado no periódico Biology Letters.

 

A equipe de investigação usou fósseis para estudar padrões evolutivos de mais de 400 milhões de anos de história.

 

Focando nos animais terrestres - os anfíbios, répteis, mamíferos e aves - os cientistas mostraram que a quantidade de biodiversidade estreitamente se alinha a disponibilidade de "espaço vital" ao longo do tempo.

 

Viver no espaço - mais conhecido formalmente como o conceito de "nicho ecológico" por biólogos - refere-se às necessidades particulares de um organismo para prosperar. Ele inclui fatores como a disponibilidade de alimento e um habitat favorável.

 

 

"Golpe de sorte"

 

O novo estudo sugere que mudanças evolutivas realmente grandes acontecem quando os animais se movimentam em áreas vazias do espaço vital, não ocupados por outros animais.

 

Por exemplo, quando as aves evoluíram a habilidade de voar, o que abriu um vasto leque de novas possibilidades que não estavam disponíveis a outros animais. De repente, o céu estava literalmente no limite, provocando uma nova explosão evolutiva.

 

Da mesma forma, a extinção dos dinossauros deixou amplas áreas de espaço vital abertas, dando aos mamíferos sua grande chance.

 

Este conceito desafia a ideia de que a intensa competição por recursos em habitates superlotados é a principal força motriz da evolução.

 

O professor Mike Benton, um coautor do estudo, explicou que "a concorrência não desempenha um grande papel no padrão geral da evolução".

 

"Por exemplo, apesar de os mamíferos viverem ao lado dos dinossauros por 60 milhões de anos, eles não foram capazes de competir com os répteis dominantes. Mas, quando os dinossauros foram extintos, os mamíferos rapidamente preencheram os nichos vazios que eles deixaram e hoje os mamíferos dominam a terra", disse ele à BBC News.

 

Visão alternativa

 

Entretanto, o professor Stephen Stearns, biólogo evolucionista da Universidade de Yale, EUA, disse à BBC News que "achou os padrões interessantes, mas a interpretação problemática". 

 

Ele explicou: "Para dar um exemplo, se os répteis não tinham sido competitivamente superiores ao dos mamíferos durante a era Mesozóica, então por que os mamíferos só conseguiram sua expansão depois que os grandes répteis foram extintos no final do Mesozóico?"

 

"E, em geral, qual é o impulso para ocupar novas porções de espaço ecológico, se não para evitar a concorrência com as espécies no espaço já está ocupado?"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.