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O prazer de pensar

Brincar com desafios e enigmas faz parte dos nossos passatempos desde que aprendemos a criá-los

Daniel Martins de Barros, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2021 | 05h00

Peço uma breve licença para invadir o espaço normalmente reservado para palavras cruzadas, sudoku e puzzles em geral para propor um desafio aos leitores. As palavras solar, água e cigarro podem ser ligadas por uma palavra em comum, consegue saber qual? Não acho que esteja muito difícil, mas se precisar de uma dica, pense em “barreira”. Adivinhou? Algo que impeça a passagem de partes indesejadas. Sim, a resposta é filtro. Existe filtro solar, filtro de água e cigarros com filtro. Quer uma mais difícil? Que tal jornal, vértebras e templo grego? Fica muito fácil se você pensar no que está lendo agora – uma coluna, claro. Como a coluna vertebral ou da arquitetura clássica.

Brincar com desafios e enigmas faz parte dos nossos passatempos desde que aprendemos a criá-los. Eles estavam presentes em histórias da antiguidade clássica e atravessaram o tempo até os dias de hoje, não só nas páginas de jornal, mas em revistas especializadas e mesmo nos desafios que vez por outra aparecem em nossos grupos de mensagem – por vezes levando a debates acalorados.

Podemos pensar diversos motivos para a popularidade e perenidade desse tipo de passatempo, mas nenhuma resposta estará completa sem levar em conta o aspecto do prazer. Existem inclusive pesquisas de neuroimagem mostrando o que nós já sabemos muito antes de inventarem a ressonância magnética: resolver problemas é gostoso. A sensação que temos quando as peças se encaixam, quando a ficha cai – gíria antiga para indicar que o circuito foi fechado –, gera em nós um verdadeiro “barato”. Pode variar em intensidade dependendo da pessoa e das circunstâncias, mas está sempre associado a um bem-estar subjetivo. O circuito de recompensa do cérebro é acionado por um neurotransmissor chamado dopamina, que sinaliza a importância e a relevância daquele estímulo, nos levando não apenas a guardá-lo na memória, como nos estimulando a repetir a experiência.

Isso mostra que resolver problemas foi importante para nossa sobrevivência – óbvio, pois se algo permaneceu instalado em nossos circuitos de prazer é porque nos ajudou a chegar até aqui. Quem se sentia bem quando superava um obstáculo não só aprendia mais com a experiência como também tendia a se aprimorar cada vez mais, o que foi uma vantagem e tanto para nossos antepassados. E assim somos todos, de uma forma ou de outra, descendentes de curiosos.

Faça o teste, dê uma olhada no desafio lógico ou nas cruzadas no Caderno 2 de hoje. Com certeza dará certo trabalho. Mas a recompensa é certa.

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