‘O risco da volta da poliomielite no Brasil é real’, garantem especialistas
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‘O risco da volta da poliomielite no Brasil é real’, garantem especialistas

Conscientizar pais e mães para que vacinem seus filhos é único caminho para manter crianças protegidas

Sanofi, Estadão Blue Studio
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20 de maio de 2022 | 07h30

O reaparecimento de doenças até então controladas  graças à imunização é um fantasma que assombra os países que registram a constante queda na cobertura vacinal, como o Brasil1. Após um surto da doença registrado no país ao longo de 2018, o País perdeu a certificação de país livre do sarampo concedida pela Organização Panamericana de Saúde (OPAS) no ano seguinte. Desde então, casos de sarampo têm sido registrados anualmente no Brasil, mesmo durante a pandemia de coronavírus1.

Com o registro recente do primeiro caso de poliomielite selvagem em três décadas no Malawi e o surto de poliomielite ligado ao vírus vacinal em Israel2, acendeu a luz vermelha em diversos países, incluindo o Brasil, já que por aqui a cobertura vacinal contra a doença está em queda há pelo menos sete anos. Em 2013, 100% das crianças que deveriam tomar o imunizante contra a pólio foram aos postos de saúde. Mas em 2020, apenas 75,86% foram imunizadas e, ano passado, esse número foi ainda mais baixo: só 63,75% das crianças elegíveis tomaram a vacina contra a poliomielite3. “Fazendo uma conta simples podemos dizer que, de cada 100 crianças, 30 não estão adequadamente vacinadas e estão em risco”, destaca Juarez Cunha, pediatra e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). “E, como estamos tendo uma baixa cobertura vacinal desde 2015, imagina o número de crianças que estão suscetíveis à doença?”, questiona.

Antes do início das campanhas de vacinação contra a pólio, na década de 19804, a doença era uma preocupação constante na vida de mães e pais. Embora seus sintomas mais frequentes sejam geralmente leves, como febre, mal-estar, dor de cabeça, de garganta e no corpo, nas formas mais graves da doença há sequelas como flacidez muscular, problemas e dores nas articulações, crescimento diferente das pernas, paralisia nos músculos, entre eles os da fala e da deglutição, entre outras questões motoras que não têm cura5. Em alguns casos, a poliomielite pode levar à morte6. “A pólio era uma doença que trazia um drama, porque muitas crianças iam dormir febris e acordavam paralisadas. Começavam com uma paralisia, as ‘perninhas’ molinhas, geralmente nos membros inferiores e às vezes subia, era ascendente, chegava nas coxinhas, nos bracinhos. Quando as crianças se curavam, e a maior parte se curava, ficavam com sequelas. Todos nós conhecemos alguém que teve pólio no passado e teve uma sequela, por vezes definitiva. Precisava de aparelhos para conseguir andar, conseguir se locomover. Então a pólio é uma doença grave, sim”, afirma o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

“O último caso de poliomielite no Brasil foi no longínquo ano de 1989, e o certificado de país livre da doença foi concedido ao Brasil em 19947. Tantos anos sem crianças doentes ou com sequelas da pólio podem ter levado a uma falsa percepção de segurança para as mães e os pais de hoje, o que seria um dos motivos para a hesitação vacinal, ou seja, para os cuidadores deixarem de vacinar seus filhos mesmo com o imunizante contra a pólio disponível gratuitamente pelo SUS”, afirma Cunha. “Em 2019, a Organização Mundial da Saúde colocou a hesitação vacinal como uma das ameaças (à saúde global)8. E um dos motivos para não se vacinar pode ser essa falsa sensação de segurança, porque há doenças que boa parte da população não conhece, nunca viu, por isso acha que não precisa vacinar os filhos. Não consegue enxergar o risco, mas o risco está aí, é real”, acrescenta o presidente da SBIm.

“E hoje em dia, por conta dessas baixas coberturas vacinais, a ameaça de uma volta da poliomielite no Brasil é real”, afirma o pediatra e infectologista Renato Kfouri. "O risco de reintrodução da paralisia infantil no Brasil depois de tantos anos sem registro da doença existe. Outros países, como Israel por exemplo, já estão enfrentando casos de pólio: foram sete casos, porque (o país) não está vacinando (direito), como nós também não estamos", completa.

Para tirar essa ameaça do retrovisor o caminho é um só: levar pais e mães a entender que vacinar contra a poliomielite e todas as doenças que são preveníveis por imunização é essencial, explica a pediatra e infectologista Luiza Helena Falleiros Arlant, presidente da Câmara Técnica de Certificação de Erradicação da Poliomielite no Brasil junto à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). “Se você mantiver uma cobertura vacinal de 95% na criançada, qualquer vírus que entrar no país não vai fazer nada. Com uma população adequadamente imunizada, o vírus pode estar circulando na comunidade que ela vai estar imune, as pessoas vão estar protegidas", garante.


Referencias

1 boletim-epidemiologico-vol-53-no03.pdf (www.gov.br)

2 Iniciativa global de erradicação da poliomielite apela a compromissos renovados para alcançar a promessa de um mundo livre da poliomielite (unicef.org)

3 Bio-Manguinhos e SBIm são parceiras em projeto para retomar coberturas vacinais - SBIm

4 A poliomielite (fiocruz.br)

5 Poliomielite (paralisia infantil) | Biblioteca Virtual em Saúde MS (saude.gov.br)

6 Poliomielite - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde (paho.org)

⁷ Poliomielite - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde (paho.org)

8 Dez ameaças à saúde que a OMS combaterá em 2019 - OPAS/OMS | Organização Pan-Americana da Saúde (paho.org)




A importância de manter a vacinação das crianças em dia

Para prematuros, atenção ao calendário é ainda mais importante

Os pediatras e os infectologistas sempre destacam a importância de seguir à risca o calendário de vacinação dos nossos filhos, a fim de protegê-los das doenças que podem ser evitadas pela imunização. Mas desde 2015 o Brasil vem enfrentando uma queda nos índices de imunização das crianças para a maioria das doenças1, entre elas a poliomielite, e o ressurgimento de doenças que já tinham sido eliminadas, como o sarampo, por exemplo2. Se em 2013 praticamente todas as crianças elegíveis foram vacinadas contra a paralisia infantil, ano passado esse número desabou para 67,58%3. Essa redução ocorreu com a maioria das vacinas que são imprescindíveis nos primeiros anos de vida do bebê, como a BCG, que protege contra a tuberculose; a tríplice viral, contra o sarampo, a rubéola e a caxumba; e a da meningite C, só para citar alguns exemplos.4 

E quando se pensa nos prematuros, aqueles bebês que nasceram antes das 37 semanas de gestação, a imunização no tempo certo é imprescindível, já que eles fazem parte de um grupo de recém-nascidos que é ainda mais vulnerável às infecções.5 “Esses bebês estão com o seu sistema imunológico imaturo, em desenvolvimento. E, como passaram menos tempo no útero materno, receberam menos anticorpos da mãe do que aqueles bebês que nascem a termo”, explica a neonatologista Lílian Sadeck, que é diretora da Sociedade Brasileira de Pediatria. “Mas o que a gente verifica é que muitas vezes a vacinação dos bebês prematuros, que deve ser feita na mesma idade cronológica dos bebês nascidos ‘no tempo certo’, tem uma defasagem. E tem vários fatores para esse atraso; um deles é ficar com ‘pena’ do bebê, que ainda está com pouco peso e tem que ir ao posto de saúde receber várias injeções. Mas a gente tem conseguido melhorar esse esquema vacinal”, completa.

A incorporação pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde das vacinas combinadas,  aquelas que oferecem proteção para mais de uma doença com a aplicação de uma única injeção, pode ajudar os pais de prematuros nessa tarefa de proteger seus filhos, avalia. Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie) disponibilizam esses imunizantes aos bebês prematuros extremos, aqueles que nasceram com menos de 1 kg ou com até 31 semanas de gestação6. O objetivo foi tornar a vacinação menos dolorosa e com menos reações para esse bebê.7 Assim, os prematuros podem ser protegidos de até seis doenças, entre elas a poliomielite e a coqueluche, tomando uma só injeção.

“Essas vacinas especiais também são acelulares, ou seja, são compostas apenas pelas proteínas responsáveis por gerar a resposta imunológica e não por células inteiras, fazendo com que seus efeitos colaterais sejam menores”, explica a pediatra e infectologista Ana Paula Burian, presidente da regional do Espírito Santo da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), ela mesma mãe de gêmeos que nasceram prematuros com 36 semanas.  A médica lembra que todas as vacinas usadas pelo Ministério da Saúde são “imunogênicas, confiáveis e seguras” e ressalta que é importante que as famílias de prematuros saibam que o SUS oferece esse imunizante a esse grupo específico de bebês. “A gente pode ter no interior, longe da capital, mães que não sabem que têm direito às vacinas combinadas. Se o vacinador não tiver essa informação, a mãe pode contactar a Secretaria de Saúde, que é quem faz o pedido dessa vacina para toda a cidade”, explica.

Vacinação contra a poliomielite

O esquema vacinal contra a poliomielite contempla cinco doses de vacina, tanto para os prematuros quanto para aos bebês que nascem a termo. Os prematuros sempre receberam as três primeiras doses do imunizante injetável de vírus inativado, a vacina inativada da poliomielite (VIP), aos 2, 4 e 6 meses de idade8. Desde 2016, os bebês nascidos a termo também recebem as três primeiras doses da VIP. Já as duas doses de reforço, que são dadas entre 15 e 18 meses e entre 4 e 5 anos de idade, podem ser tanto a vacina oral – a ‘gotinha’ (Sabin) – ou a injetável9. A SBIm recomenda que todas as doses ofertadas sejam da vacina inativada sempre que possível, de acordo com uma recomendação da Organização Mundial da Saúde 10.


Referencias

1 O tombo na vacinação infantil : Revista Pesquisa Fapesp

2 Sarampo - Família SBIm

3 O tombo na vacinação infantil : Revista Pesquisa Fapesp

4 O tombo na vacinação infantil : Revista Pesquisa Fapesp

5 Baixa procura por imunização preocupa, sobretudo em bebês prematuros - ONG Prematuridade.com

6 informe-incorporacao-penta-hexa-acelulares-210104.pdf (sbim.org.br)

7 Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/informe-incorporacao-penta-hexa-acelulares-210104.pdf. Consulta em maio de 2022

8 Prematuro - Família SBIm

9 Sociedade Brasileira de Imunizações - calend-sbim-crianca.pdf

10 Vacinas poliomielite - Família SBIm

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