O vírus também pode afetar adultos
Conteúdo Estadão Blue Studio

O vírus também pode afetar adultos

Conhecer os caminhos da paralisia infantil é importante, mas apenas a vacina oferece segurança

Estadão Blue Studio, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2022 | 07h30

Por mais que seja redundante, a informação de que a vacina é a única forma de se proteger contra a paralisia infantil precisa ser repetida. E como o vírus da doença continua circulando por vários países, é importante, também, saber como ele pode ser transmitido e, inclusive, quem ele pode afetar. Não são apenas as crianças que podem ser acometidas pelas sequelas graves da pólio.

Os adultos também podem se infectar, inclusive com chances de desenvolver a forma grave da doença. Por isso, é bastante importante se imunizar em qualquer idade. Para os mais velhos, a vacina é aplicada nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (Crie), do Ministério da Saúde.

“Causada pelo poliovírus, a poliomielite é transmitida pelo contato direto entre uma pessoa saudável com outro indivíduo infectado. Seja pela via fecal-oral ou pela via oral-oral”, esclarece Célia Menezes Cruz Marques, médica da assessoria clínica de Bio-

Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Segundo a especialista, a primeira situação é a mais frequente e pode ocorrer por meio de objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores do vírus. A contaminação via oral-oral se dá por meio de gotículas de secreções ao falar, tossir ou espirrar.

A forma de contágio escancara como a falta de saneamento básico, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do vírus. E em um país onde pouco mais de 53% da população tem acesso a coleta de esgotos e 83% dos brasileiros têm abastecimento de água tratada, segundo dados de 2018 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), existe um grande potencial para o micro-organismo causador da pólio se alastrar.

“Após o vírus entrar no organismo, ele pode produzir uma inflamação nos nervos e na medula, impedindo, geralmente, os movimentos dos membros inferiores. O diafragma, entretanto, também pode ser atingido, levando a pessoa infectada a insuficiência respiratória e até a morte”, afirma Giovanna Sapienza, médica infectologista do Centro de Prevenção Meniá e do Hospital Santa Isabel, ambos em São Paulo.

De olho nos sintomas

A poliomielite pode apresentar-se sob diferentes formas clínicas. Em 90% a 95% dos casos, a doença é assintomática. Já para 5% das pessoas que se infectam, os sinais são muito parecidos com qualquer infecção viral, como febre, cefaleia, tosse, coriza, vômito, dor abdominal e diarreia. “Há, também, a pólio que pode evoluir para um quadro de meningite, o que ocorre em cerca de 1% das infecções. E, finalmente, a mais conhecida, a paralítica, que acomete em torno de 1 a 1,6% dos infectados, e tem características clínicas típicas, que permitem sugerir o diagnóstico de poliomielite, que é a instalação súbita da deficiência motora, acompanhada de febre”, explica Célia.

Não existe tratamento para a paralisia infantil. Apenas terapias contra os sintomas. Por isso, mais uma vez, a imunização é tão importante. “A vacina atua induzindo o indivíduo a produzir os anticorpos contra o vírus. Então, quando a criança entrar em contato com o micro-organismo, esse agente infeccioso vai penetrar pela via oral. Porém, os anticorpos, que estão sendo produzidos no intestino, irão impedir que este vírus seja absorvido, caia na corrente sanguínea e atinja o sistema nervoso”, diz Kleber Luz, infectologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol/UFRN), que faz parte da Rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

Conteúdo produzido pelo estadão blue studio, a área de conteúdo customizado do estadão

Tudo o que sabemos sobre:
saneamentovírusmedicina

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.