Obama revê garantias a médicos que se recusam a fazer aborto

A administração Bush instituiu essa norma em seus últimos dias e foi criticada por Obama em sua campanha

AP,

27 Fevereiro 2009 | 16h44

O presidente Barack Obama quer rescindir uma norma do governo Bush que fortalece as garantias trabalhistas de médicos e enfermeiras que se recusem a realizar abortos por questões morais.   Um representante do U.S. Health and Human Services disse nesta sexta-feira, 27, que a administração irá publicar uma nota sobre suas intenções no início da próxima semana, abrindo o período de 30 dias para comentários de grupos médicos e do público. O representante falou em condição de anonimato, porque o informe ainda não foi finalizado.   A administração Bush instituiu essa norma em seus últimos dias, e foi rapidamente desafiada na corte federal por diversos Estados e por organizações médicas. Como candidato, Barack Obama criticou a medida e prometeu revisá-la se eleito.   O aborto é uma das questões mais polêmicas dos Estados Unidos. Democratas tendem a favorecer o direito ao aborto, enquanto os Republicanos se opõem.   A notícia de que Obama está revisando a norma gerou elogios dos defensores do aborto e condenação dos grupos que se opõem à prática.   "Seria uma ação horrível. Essas regulações vêm de muito tempo", disse Tom McClusky, vice-presidente do Family Research Council. "Elas pretendem proteger pacientes, enfermeiras, médicos e outros profissionais de serem forçados a violar suas consciências."   McClusky e outros oponentes do aborto disseram que a norma de Bush esclarece as políticas federais e aumenta a sensibilidade para os direitos dos trabalhadores da área da saúde de seguirem suas consciências. No entanto, defensores do direito do aborto dizem que a regulamentação é vaga e muito ampla, e pode reduzir o acesso a outros serviços - permitindo que um vendedor de farmácia se recuse a vender pílulas anticoncepcionais, por exemplo.   "Eu penso que é um passo muito bom", disse Diana DeGette, Democrata que introduziu o movimento para tentar retroceder a legislação.   "Essa norma foi uma tentativa de último minuto de tentar, eu penso, restringir o acesso à saúde e penso que ela teria longo alcance e consequências inesperadas."   A lei federal proibiu há muito tempo a discriminação aos agentes de saúde que se recusassem a realizar abortos por motivos religiosos ou morais. A administração de Obama apoia essas leis, disse o representante da HHS.   A norma de Bush acrescenta um requerimento de que instituições que recebem dinheiro federal tenham a verba bloqueada caso ignorem esses direitos.

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