ESO/Divulgação
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Observatório chileno divulga nova imagem de galáxia em espiral

NGC 1365 faz parte do conglomerado Fornax e fica a 60 milhões de anos-luz da Terra

estadão.com.br

22 Setembro 2010 | 17h48

Uma nova imagem obtida com luz infravermelha pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), com a câmera HAWK-I no Observatório Paranal - o mais avançado do mundo visível a olho humano -, no Chile, revela a galáxia espiral com barra central NGC 1365, que faz parte do conglomerado de galáxias Fornax e fica a cerca de 60 milhões de anos-luz da Terra.

A NGC 1365 tem uma dimensão de cerca de 200 mil anos-luz, incluindo os dois enormes braços em espiral. É uma das mais conhecidas e estudadas galáxias espirais com barra central e apresenta uma forma surpreendentemente perfeita, com uma barra reta e dois braços espirais exteriores e proeminentes. Mais perto do centro, há também uma segunda estrutura espiral e toda o conjunto é atado com faixas de poeira.

Essa galáxia é um excelente laboratório para os astrônomos estudarem como os aglomerados espirais de estrelas se formam e se expandem. As novas imagens do HAWK-I foram menos prejudicadas pela poeira que obscurece outras partes da NGC 1365 e revelam muito claramente o brilho de um grande número de estrelas na barra central e nos braços espirais.

Esses dados vão ajudar os cientistas a compreender o fluxo complexo de materiais dentro da galáxia e como isso afeta os reservatórios de gás a partir do qual novas estrelas podem se formar. A enorme barra central perturba a forma do campo gravitacional, o que conduz o gás a regiões onde ele é comprimido e a formação de estrelas, acionada.

Os grandes aglomerados nos principais braços espirais contêm centenas ou milhares de estrelas jovens e brilhantes com menos de dez milhões de anos. Por toda a galáxia, estrelas estão se formando a uma proporção de cerca de três vezes a massa do Sol por ano.

Enquanto a barra central da NGC 1365 é constituída principalmente de estrelas mais velhas, muitas novas outras nascem em berçários de gás e poeira na espiral interna, próxima ao núcleo. A barra também tem "chaminés" de gás e poeira gravitacional no centro da galáxia, onde os astrônomos encontraram evidências da presença de um buraco negro supermaciço, bem escondido entre as miríades de novas estrelas intensamente brilhantes.

As diferentes partes da galáxia levam tempos diferentes para dar uma volta completa em torno do centro, sendo que a zona mais externa da barra demora cerca de 350 milhões de anos para completar o circuito.

Observações feitas nos últimos anos indicam que a Via Láctea também poderia ser uma galáxia espiral de barra central. Essas galáxias são muito comuns - dois terços das galáxias espirais têm barras centrais, de acordo com estimativas recentes -, e estudar outras regiões pode ajudar os astrônomos a compreender a nossa própria galáxia.

O ESO é uma organização astronômica intergovernamental que atua na Europa e em observatórios produtivos do mundo todo. É apoiado por 14 países: Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, França, Finlândia, Alemanha, Itália, Holanda, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.

O ESO tem um programa ambicioso, focado na concepção, construção e operação de poderosas instalações de observação terrestres, o que permite aos astrônomos importantes descobertas científicas. A organização também desempenha um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica.

No Chile, opera três observatórios: La Silla, Paranal e Chajnantor. O ESO é o parceiro europeu do revolucionário telescópio Alma, o maior projeto astronômico existente, e está planejando o telescópio E-ELT, de 42 metros, que pretende se tornar "o maior olho do mundo no céu".

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