Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Ocorrência de hanseníase cai, mas País ainda registra 24,6 mil casos por ano

Número indica que Brasil não alcançará meta de erradicar doença, considerada endêmica em território nacional, até o fim do ano

LÍGIA FORMENTI, O Estado de S. Paulo

21 Janeiro 2015 | 13h21

BRASÍLIA - O Brasil registrou no ano passado 24.612 casos novos de hanseníase, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira, 21, pelo Ministério da Saúde. O número, embora significativamente menor que o registrado em 2003, quando 51.900 casos haviam sido identificados, indica que o País não conseguirá alcançar a meta de erradicar a doença, considerada endêmica em território nacional, até o fim deste ano. O compromisso foi assumido pelo governo em 2012 e integra o Brasil Sem Miséria. 

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, atribuiu o resultado a deficiências no sistema, principalmente na oferta de profissionais em regiões onde as taxas da doença  são mais elevadas. Com desempenho, o Brasil continua no posto de segundo país do mundo com maior número de casos da doença, atrás apenas da Índia. O ministro ressaltou que a meta de erradicar a doença será mantida. Mas agora, sem prazo definido.

"Com o Mais Médicos chegamos a áreas endêmicas onde  não tínhamos equipe de Saúde da Família para identificar casos", disse Chioro. Ele avalia que, atualmente, o sistema tem melhores condições para identificar precocemente os casos, ir em busca de familiares de pacientes com a doença para verificar se há contágio intrafamiliar. "A doença não se combate apenas com informação, é preciso diagnóstico e tratamento."

A coordenadora do Programa Nacional de Hanseníase, Rosa Castaglia, afirma que a taxa de prevalência da doença caiu 68% nos últimos dez anos, passando de 4,52 para 1,42 por 10 mil habitantes entre 2003 e 2013. Para tentar acelerar o ritmo de queda, o Ministério da Saúde lança nesta quarta uma campanha sobre a doença. O mote é "Hanseníase, quanto antes você descobrir, mais cedo vai se curar", uma tentativa de tentar ampliar o diagnóstico precoce da doença e a divulgação de que o tratamento é gratuito e está disponível no Sistema Único de Saúde. "É decisivo que, identificado o paciente, seja feita investigação de pessoas próximas, contactantes", disse o ministro.

Chioro ressaltou que talvez seja necessário aguardar um longo período até que a erradicação da doença seja realizada. "O período de incubação é de cinco anos. Muitos desses pacientes poderão demorar um período para apresentar primeiros sintomas e iniciar o tratamento ", observou. 

Ocorrência da doença. A distribuição da hanseníase no Brasil é irregular. Embora ela esteja presente em todas as unidades da federação, ela tem grande concentração na Amazônia e Estados do Nordeste. O campeão da doença é Mato Grosso, com 9,03 casos por cada 10 mil habitantes. Em seguida vem o Maranhão, com 5,29 casos por cada 100 mil habitantes. Tocantins , em terceiro lugar, apresenta 4,28 casos a cada 10 mil e Pará, 3,69, todos índices considerados muito altos. Dados de 2013 mostram que em 18 Estados brasileiros a doença é considerada fora de controle, com prevalência superior a 1 caso a cada 10 mil habitantes.

Levantamento preliminar feito pelo ministério indica que em 2014 foram identificados 1,56 casos novos por cada 10 mil habitantes. Um indicador maior que o registrado em 2013: 1,42 casos por cada 10 mil. A elevação, de acordo com Chioro, não preocupa e é reflexo de uma melhora no diagnóstico de casos, sobretudo depois de uma campanha realizada em escolas públicas, para identificação de menores de 15 anos com a doença. "Temos de olhar a tendência apresentada no Brasil. E é inquestionável a redução de casos sustentada apresentada na última década."  

A campanha lançada nesta quarta será voltada tanto para população em geral quanto para profissionais de saúde. No segundo semestre, uma nova edição da Campanha Nacional de Hanseníase, Verminoses e Tracoma será realizada entre alunos de 5 a 14 anos de escolas públicas de todo o País. Na primeira edição, em 2013, 852 municípios participaram. Ano passado, foram 1.944.

"A ideia é quebrar a cadeia de transmissão da doença, com a identificação de casos na família", disse Rosa. A recomendação é de que contatos dessa criança sejam registrados. De acordo com ministério, somente com essa estratégia, 73 familiares de crianças também foram identificados com a doença.

A doença. A hanseníase é uma doença infecciosa que atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas varia de dois a cinco anos. A doença faz aparecer manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer em áreas da pele, que trazem a sensação de formigamento, diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

A hanseníase tem cura, mas pode provocar incapacidades físicas caso o diagnóstico seja feito de forma tardia e o tratamento, inadequado. O período de terapia varia entre 6 meses a 1 ano, de acordo com o paciente. Em 2014, 31.568 pacientes estavam em tratamento. O porcentual de cura passou de 69% para 83% entre 2003 e 2014.

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