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Odores imaginários podem preceder enxaquecas, revela estudo

Cerca de 30% das pessoas que sofrem de enxaquecas recorrentes sofrem distúrbios sensoriais pouco antes da cefaleia

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17 de outubro de 2011 | 12h00

Odores imaginários, como o cheiro de algo queimado ou podre ou até mesmo o aroma de "foie gras", podem fazer parte da "aura" sentida por algumas pessoas antes de um ataque de enxaqueca, embora isso seja raro, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos.

Cerca de 30% das pessoas que sofrem de enxaquecas recorrentes sofrem distúrbios sensoriais pouco antes da cefaleia. Conhecidos como aura, esses distúrbios geralmente são visuais, como pontos cegos ou flashes de luz. Também podem aparecer sensações de formigamento ou amortecimento, ou, ainda, dificuldade em falar e entender o que está sendo dito.

Mas o estudo conduzido por Matthew Robbins e colegas do Centro Montefiore de Cefaleia, em Nova York, constatou que algumas pessoas relatam sentir odores em conjunto com as dores de cabeça.

Robbins disse que essas chamadas alucinações olfativas ainda não foram cobertas em uma revisão sistemática da literatura médica.

Os pesquisadores reviram 25 casos relatados de pacientes com cefaleias - na maioria dos casos, enxaquecas - e alucinações olfativas, além dos registros de mais de 2.100 pacientes atendidos ao longo de 30 meses. Quatorze pessoas - pouco menos de 0,7 por cento - relataram sentir odores antes das cefaleias.

"O mais comum era um cheiro de queimado ou de fumaça", falou Robbins.

Odores de decomposição, como de lixo ou esgoto, foram o segundo tipo mais comum. Algumas pessoas descreveram cheiros agradáveis, como o de laranjas, café ou foie gras.

Acredita-se que os sintomas da aura envolvam um fenômeno chamado "depressão cortical alastrante", em que uma onda de atividade elétrica aumentada nos neurônios é seguida de uma onda de atividade deprimida, disse Robbins.

O mesmo fenômeno pode ser responsável pelas alucinações olfativas - e, como os centros olfativos do cérebro ocupam muito menos espaço que os centros visuais, isso pode, teoricamente, explicar por que as alucinações olfativas são menos comuns.

De acordo com Robbins, é possível que algumas pessoas que sofrem de enxaquecas e alucinações olfativas não reconheçam o fenômeno. Quando as pessoas enxergam linhas em ziguezague, sabem que algo está errado, mas, no caso de um cheiro, é fácil supor que vem de algum lugar concreto.

Como alguns transtornos, a exemplo do mal de Parkinson, podem levar uma pessoa a sentir cheiros que não estão presentes, qualquer alucinação desse tipo que não seja acompanhada de cefaleia deve ser levada à atenção de um médico, ele avisou.

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