Manojiit Tamen/Pixabay
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Oito dicas para uma amamentação bem-sucedida

Esse não é um processo automático. Tanto a mãe quanto o bebê precisam aprender a realizá-lo. Mas, com orientação adequada e paciência, ele é possível

Lygia Pontes, Especial para o Estadão

12 de fevereiro de 2022 | 05h00

Quando se fala em amamentação, é comum as pessoas acharem que ela acontece automaticamente, ou seja, que tanto a mãe quanto o bebê sabem exatamente o que fazer a partir do primeiro instante. Mas amamentar exige dedicação, tempo e calma. Afinal, é normal a mãe ter muitas dúvidas, por exemplo se a pega do bebê (a forma como ele abocanha o seio para mamar) está correta ou se o leite está sustentando o bebê.

Veja algumas dicas de Patrícia Senne, especialista em Aleitamento Materno, para uma amamentação bem-sucedida:

De olho na posição

É comum falarem para ter atenção à pega do bebê. Mas o bom posicionamento da mãe e do bebê é fundamental. É a postura correta que vai permitir que a amamentação seja eficaz. A mãe “tem de estar sentada de forma mais confortável, posicionar o braço com o bebê no colo dando oportunidade para ele abocanhar de forma correta”, orienta Patrícia. A especialista completa: “Posicionar o bebê adequadamente no peito vai prevenir 90% dos problemas com relação a machucados”. Por isso, é importante que a mulher aprenda como segurar o bebê antes mesmo do nascimento. Isso facilitará muito na amamentação depois. 

Atenção à pega

Para que a pega seja correta, a mãe deve colocar a barriga do bebê junto da dela. Também deve evitar apoiar a criança na perna. Dessa forma, a boca do bebê fica de frente para o mamilo, perto da mama. Quando ele está bem posicionado, seu nariz permanece livre e, se ele abocanha a mama corretamente, sua boca fica bem aberta, com os lábios virados para fora e as bochechas arredondadas. Além disso, o bebê não faz barulhos altos ao mamar.

Cuidados com as mamas

“Aplicar o próprio leite para ajudar na hidratação do mamilo após a mamada é importante. Uma pele hidratada é mais elástica”, explica Patrícia. Já óleos e cremes são indicados só nas mamas e nunca na região mamilo-areolar, para não deixar a pele fina e macia. 

É importante evitar utensílios, como conchas e rosquinhas, já que fazem um garroteamento da aréola, podendo causar um inchaço e, assim, dificultar a vazão do leite. Rendas e aros nos sutiãs também devem ser evitados. Eles precisam ser confortáveis para não marcar as mamas.

Já os absorventes para os seios podem ser usados. “Tem peitos que pingam muito, então se essa mulher não colocar algo ela vai ficar toda molhada, É uma situação desagradável”, diz Patrícia. “A única coisa é que não dá para ficar com o absorvente por um período muito longo, com ele encharcado. Ele vai ficar aquecido e isso pode até desencadear alguns desconfortos na aréola e no mamilo”, orienta.

Alimentação equilibrada

Alguns alimentos acabam passando para o leite. Por isso, ponderar a alimentação e priorizar alimentos consumidos na gestação pode ser melhor para o bebê. “A mãe pode comer de tudo, de forma equilibrada. Os extremos são ruins. O que ela comia na gravidez é meio conhecido para o bebê e é mais ou menos a rotina alimentar da família. É algo que ela vai acabar adotando no pós-parto e isso mantém o bebê um pouco mais confortável”, explica Patrícia. Ela ainda fala da importância de observar o bebê, já que cada pessoa pode se sentir de um jeito. “Duas pessoas podem comer o mesmo alimento, uma sentir desconforto e a outra não. Então alguns bebês vão ter desconforto com determinado alimento. É observar.”

Livre demanda

A mãe deve oferecer os dois seios, e o bebê decide o quanto mama. É importante construir um ritmo de mamadas bem realizadas em livre demanda (quando o bebê quer).

Produção com a sucção

Essa é mais uma razão para amamentar em livre demanda. “A sucção do bebê no peito é fundamental para a produção do leite, sendo que a quantidade de leite está diretamente relacionada à frequência com que ela ocorre”, explica Patrícia.

Inicialmente na amamentação, a mulher tem uma apojadura, um enchimento maior do que a necessidade do bebê. Mas, com o tempo isso muda, como explica Patrícia: “Com 12, 15 dias, ocorre o equilíbrio produção-consumo. A mama produz o que o bebê mama, então, quanto mais o bebê mama, mais essa mama produz. O importante é o bebê mamar bem para manter esse equilíbrio.

Nesse início da amamentação, em que a mama fica muito empedrada, é importante fazer massagens para ajudar a ficar um pouco mais macia e mais favorável para o bebê conseguir esvaziar um pouco melhor. Mas esse período inicial é esperado.”

Depois do equilíbrio, quando o leite começa a empedrar, é necessário verificar se algo mudou. “Talvez esse bebê não esteja mamando tão bem, não esteja tão confortável e comece a sobrar leite na mama, que vai empedrando. Mas a massagem, o deslocamento dessa mama inicialmente à mamada vão ajudar a soltar um pouco melhor esse leite.” Porém, se o empedramento persistir, é “importante a pessoa procurar um especialista em aleitamento, um profissional que vai avaliar como um todo e detectar qual melhoria precisa ser feita para isso entrar novamente em equilíbrio”, orienta Patrícia.

Tamanho da mama

Ele está relacionado à quantidade de gordura e não às estruturas que produzem leite. “O tamanho da mama não interfere na quantidade e qualidade de leite produzido”, afirma a especialista.

Leite suficiente

O Ministério da Saúde recomenda a amamentação até os dois anos ou mais e, de maneira exclusiva, nos seis primeiros meses de vida do bebê. “O leite materno contém todos os componentes nutricionais, vitaminas, sais minerais e água para que a criança se desenvolva adequadamente, sem necessidade de outro alimento”, esclarece.
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