JF Diorio/Estadão
JF Diorio/Estadão

Oito estados com maior proporção de favelas estão entre os mais atingidos pela covid

Os maiores índices estão nas capitais do Pará e do Amazonas, dois estados em situação de colapso nos seus serviços de saúde pública

Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2020 | 11h00

RIO — Entre os dez estados com maior incidência de contaminação pelo novo coronavírus, oito apresentam também as maiores proporções de moradias irregulares ou em condições precárias, como favelas, terrenos invadidos ou palafitas. O número é especialmente preocupante porque essas situações de moradia dificultam o isolamento social e favorecem a disseminação do vírus causador da covid-19.

Os dados compõem o mapeamento preliminar dos chamados "Aglomerados Subnormais", feito pelo IBGE como preparação para a operação do Censo Demográfico, que seria realizado este ano mas acabou adiado para 2021 em razão da pandemia.

A estimativa dos pesquisadores é de que, atualmente, existam 5,12 milhões de domicílios ocupados nesses aglomerados em todo o País, mas o instituto alerta que o número só poderá ser confirmado após o censo. O dado aponta que 7,8% do total de moradias seria irregular ou precária.

Segundo o levantamento, os estados com as maiores proporções são Amazonas (34,6%), Espírito Santo (26,1%), Amapá (21,6%), Pará (19,7%), Rio de Janeiro (12,6%), Bahia (10,6%), Pernambuco (10,5%), Ceará (9,2%), Acre (8,5%) e Maranhão (7,8%). Desses estados, apenas o Amapá e o Acre não estão entre os dez com maior incidência do novo coronavírus. Com a maior população do País e epicentro da covid-19, São Paulo ocupa o 12º posto entre os estados que apresentam maiores índices de moradias precárias - 7,1% em relação ao total de domicílios.

Quando a divisão é feita entre os municípios com mais de 750 mil habitantes, o estudo do IBGE traz outro dado preocupante. Os maiores índices estão nas capitais do Pará e do Amazonas, dois estados em situação de colapso nos seus serviços de saúde pública. Belém tem 55,5% de seus domicílios em condições inadequadas, e Manaus, 53,4%. Municípios menores do interior do Pará também estão entre os que apresentam os maiores índices de moradias em áreas precárias.

SAÚDE. O levantamento do IBGE traz pelo menos um dado considerado positivo pelos pesquisadores. Quase 80% dos aglomerados com moradias irregulares ou precárias fica a no máximo um quilômetro de distância de unidades de saúde voltadas à atenção primária - como postos de saúde  -, sendo 41% deles a menos de 500 metros. Além disso, em 93,7% dos casos é possível encontrar um hospital ou unidade de saúde que ofereça internação num raio de até cinco quilômetros.

O acesso relativamente fácil às instituições de saúde, no entanto, não significa facilidade no atendimento. Outro estudo do IBGE apresentado no início do mês e baseado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (DataSUS) mostrou que os estados do Amazonas, Acre, Amapá, Pará e Maranhão apresentavam no ano passado os menores índices de distribuição de médicos para cada 100 mil habitantes entre todos os estados do País. Recursos necessários para o combate da covid-19, como leitos e ventiladores mecânicos, também eram baixos em diversos estados daquelas regiões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.