CDC/Divulgação
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OMS adia 3 anos decisão de data para destruir vírus varíola

Os partidários da destruição querem desfazer-se do vírus alegando temor de que caiam nas mãos de terroristas e os favoráveis em preservá-lo têm objetivos de pesquisa científica

Efe

24 Maio 2011 | 10h58

GENEBRA - Os países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) concordaram nesta terça-feira, 24, em adiar por três anos a decisão de fixar uma nova data para destruir as últimas amostras do vírus da varíola, uma doença erradicada em 1980.

 

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Após dias de intensos debates na Assembleia Mundial da Saúde realizada em Genebra, os países não conseguiram chegar a um acordo sobre uma data para destruição dos vírus que estão armazenados em laboratórios na Rússia e nos Estados Unidos.

 

"A boa notícia é que alcançaram um consenso sobre reafirmar a decisão de que o vírus deve ser destruído", o que já foi acordado em 1986, disse à imprensa Pierre Formenty, especialista da OMS.

 

Formenty adiantou, entretanto, a confirmação "de que a discussão sobre a uma nova data ocorrerá na Assembleia Mundial da Saúde dentro de três anos".

 

Esta era a quarta vez no último quarto de século que os representantes dos 193 estados-membros da OMS abordavam a questão da destruição do vírus da varíola. As discussões ocorrem entre os partidários da destruição, que defendem desfazer-se o mais rápido possível desses vírus alegando o temor de que caiam nas mãos de terroristas, e os favoráveis em preservá-lo, ainda com objetivos de pesquisa científica.

 

Formenty reconheceu que "as antigas vacinas que permitiram a erradicação da varíola agora já não poderiam ser utilizadas" porque foi comprovado que têm efeitos colaterais perigosos. 

 

"Não é possível administrar a pessoas com sistema imunitário frágil, como os soropositivos", o que deixaria de fora grandes populações em países com altas taxas de aids. "Por isso é necessário uma nova vacina, as que estão em desenvolvimento passaram por todos os testes", exceto os testes em animais vivos.

 

O analista reconheceu que a única possibilidade de a varíola reaparecer seria se alguém tivesse acesso às amostras guardadas, e lembrou que uma volta natural da varíola é impossível, pois o vírus já não está presente na natureza nem no homem e em outras espécies animais.

 

Só estão guardadas amostras em dois laboratórios de alta segurança: em Atlanta (EUA), que tem mais de 400, e em Koltsovo (Rússia), onde estão outras 120. "Alguns países nos comunicam a cada ano sobre informações de grupos que poderiam ter acesso a esses armazéns, sempre há esses rumores", assinalou.

 

Durante as discussões, Rússia e EUA reiteraram suas posições favoráveis a guardar por mais algum tempo os vírus com fins de pesquisa. "Acreditamos que é preciso continuar com as pesquisas científicas em torno da varíola. A destruição dos vírus vivos seria irreversível", disse o representante russo.

 

Também chamou a atenção sobre a possibilidade de reservas ilegais de vírus em locais autorizados, por isso que "é prudente manter os dois centros atuais que apresentam todas as garantias de segurança para enfrentar uma eventual alta da varíola".

 

Por sua vez, os EUA assinalaram que "apoiam de maneira clara a destruição dos vírus depois da conclusão do programa de investigação aprovado pela OMS".

 

Os EUA assinalaram que ainda é necessário desenvolver antivirais e vacinas "mais seguras e eficazes do que as existentes" e disse que preservar por um tempo mais os vírus vivos representa "uma vantagem em termos de saúde pública no longo prazo".

 

A varíola é uma doença altamente contagiosa, e era uma das mais temidas no mundo por sua alta taxa de mortalidade, 30% dos afetados, até ser erradicada após uma intensa campanha global de vacinação. O último caso conhecido de contágio natural ocorreu na Somália em 1977. Outro episódio de contágio emblemático foi o registrado em 1978 em Birmingham (Reino Unido), quando uma funcionária de uma escola de Medicina morreu em consequência de um acidente no laboratório.

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