Tingshu Wang/Reuters
Tingshu Wang/Reuters

Missão da OMS na China entrevistou cientistas para estabelecer origens do novo coronavírus

Equipe da agência que foi até o país para estabelecer bases para investigação maior sobre surgimento da covid-19 concluiu os trabalhos

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 10h27

A equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) enviada à China para investigar as origens da covid-19 teve discussões extensas e trocas com cientistas em Wuhan, onde o surto foi detectado primeiro, afirmou o porta-voz da agência Christian Lindmeier nesta terça-feira, 4.

“A equipe teve longas discussões com os pares chineses e recebeu atualização de estudos epidemiológicos, biológicos, análises genéticas e pesquisas referentes à saúde animal”, disse Lindmeier aos jornalistas.

A China fechou um mercado de frutos do mar em Wuhan no início da pandemia, um dia após descobrir que alguns infectados eram vendedores e trabalhadores do local. A OMS afirma que provavelmente o vírus é proveniente de morcegos e teve um animal intermediário que serviu de vetor.

Essa missão inicial, composta por dois especialistas em saúde animal e epidemiologia, foi encarregada de estabelecer bases para uma equipe mais ampla de especialistas chineses e internacionais. A investigação maior visa a descobrir as causas para a covid-19 quebrar a barreira de espécies entre animais e humanos.

Lindmeier não deu detalhes sobre a data ou estruturação da missão mais ampla. Segundo o porta-voz, os termos de referência para esta investigação foram produzido em conjunto com as autoridades chinesas em forma de esboço e ainda não estavam disponíveis ao público. 

O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou a conclusão dos trabalhos da missão inicial, durante coletiva na segunda-feira, 3. “Evidências e hipóteses irão preparar o terreno para estudos de longo prazo”, disse.

Os resultados da investigação da agência são aguardados por cientistas e governos ao redor do mundo, entre eles o dos Estados Unidos, que incitou fortemente a missão. A administração Trump acusa a OMS de estar aliada com a China e planeja deixar a agência por conta da forma que tem administrado a pandemia.

A composição da equipe é uma questão delicada, pois qualquer exclusão relacionada a especialistas dos EUA seria controversa. Outro ponto de atenção será o grau de acesso concedido por Pequim.

O presidente norte-americano, Donald Trump, e o secretário de Estado, Mike Pompeo, já declararam que o vírus pode ter se originado em um laboratório em Wuhan, embora não tenham apresentado evidências para essa afirmação, negada pela China. Cientistas e agências de inteligência dos Estados Unidos disseram que o novo coronavírus surgiu na natureza.

O diretor de emergências da OMS, Michael Ryan, disse na segunda-feira, 3, que a investigação pode trazer surpresas. "O fato de que o alarme de tenha sido acionado [em Wuhan] não significa necessariamente que foi alo que a doença passou de animais para humanos ", declarou. / Com Reuters

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