Fabrice Coffrini/Pool via Reuters
Fabrice Coffrini/Pool via Reuters

OMS afirma que situação da covid-19 no Brasil é 'muito preocupante' e país deve ser 'sério'

O diretor-geral da organização chamou atenção para o aumento das mortes em novembro e a sobrecarga do sistema de saúde

Matheus Andrade, Estadão Conteúdo

30 de novembro de 2020 | 14h50

 

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou em coletiva nesta segunda-feira, 30, que a situação da covid-19 no Brasil "é muito preocupante", em especial quando se observam os dados agregados. Ele avaliou que houve um aumento "significativo" nas mortes entre os dias 2 e 26 de novembro e que o país deve ser "muito sério" para lidar com a situação. Os casos haviam atingido o pico em julho e apresentavam queda até 2 de novembro, tendência que foi revertida, segundo Tedros.

Há boas notícias, no entanto, como a primeira queda no número semanal de casos registrados globalmente desde setembro, ocorrida na última semana, apontou Tedros.

Uma preocupação demonstrada pela OMS durante a coletiva foi com a demanda por trabalhadores de saúde, que estaria aumentando em grande parte dos países, e é algo que não é simples de se aumentar a oferta "rapidamente". Em nações do "Sul", os sistemas de saúde estariam sobrecarregados por conta da falta de investimento, afirmou o diretor-executivo da OMS, Michael Ryan. Os trabalhadores da saúde do Brasil fizeram um trabalho "fantástico" durante o primeiro pico da doença, elogiou Ryan, mais uma vez destacando o esforço de pessoas que ficaram sob "muita pressão". "É difícil ser herói quando ninguém está olhando", concluiu.

Segundo Ryan, o Brasil e outras nações da região não conseguiram tornar o número de casos baixos, e é difícil lidar com zonas densamente urbanizadas como há no País. Perguntado sobre as ações de governantes, afirmou que "todos em condição de influenciar as pessoas devem ter comportamentos adequados", em referência ao uso de máscaras, mas também sobre outras medidas.

Sobre a vacina, foi ressaltado que a iniciativa Covax, que já conta com 187 países, é a melhor opção para uma distribuição global justa. Ainda estariam faltando US$ 5 bilhões em 2021 para conseguir garantir a entrega dos imunizantes antes do fim de 2021.

"Alguns politizaram a origem do vírus", afirmou Tedros, "mas esta é uma questão técnica; nossa posição é clara, será baseada em ciência", argumentou o diretor, indicando que um grupo de estudos seguirá com as investigações, que são importantes "na prevenção de novas doenças".

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