REUTERS/Denis Balibouse
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OMS alerta para efeitos colaterais da cloroquina no tratamento da covid-19

Entidade ressaltou que não há eficácia comprovada do medicamento e aconselhou uso apenas em estudos clínicos

Guilherme Bianchini, especial para O Estado

20 de maio de 2020 | 13h49

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou nesta quarta-feira, 20, que a cloroquina e a hidroxicloroquina sejam usadas apenas em estudos clínicos contra o novo coronavírus, dentro de hospitais. O diretor do programa de emergências do órgão, Michael Ryan, ressaltou que não há eficácia comprovada desses medicamentos no combate à covid-19 e alertou para os efeitos colaterais da droga.

“Uma nação soberana tem o direito de aconselhar seus cidadãos sobre qualquer medicamento. Mas gostaria de destacar que, até agora, a cloroquina e a hidroxicloroquina não foram identificadas como eficazes para tratar a covid-19. Diversas autoridades já emitiram alertas sobre efeitos colaterais. A OMS aconselha que esse medicamento seja utilizado apenas em estudos clínicos supervisionados por médicos em ambiente hospitalar, como já ocorre em diversos países”, disse Ryan.

A pergunta sobre a liberação da cloroquina no tratamento de todos os pacientes da covid-19 no Brasil, oficializada em protocolo do Ministério da Saúde, abriu a coletiva de imprensa da OMS nesta quarta. O presidente Jair Bolsonaro insiste no uso do remédio.

Diretora técnica da entidade, Maria Van Kerkhove acrescentou que a cloroquina e a hidroxicloroquina fazem parte do projeto Solidarity, ensaio clínico da OMS que busca encontrar tratamentos eficazes e seguros contra a covid-19. 

Vários países ao redor do mundo colaboram com o estudo e inscrevem pacientes para testes de medicamentos. O antiviral remdesivir também é uma das drogas analisadas, mas ainda sem eficácia comprovada, assim como a cloroquina.

Ameaça dos EUA

Dois dias após Donald Trump ameaçar corte permanente da verba destinada à OMS, o diretor-geral do órgão, Tedros Adhanom Ghebreyesus, evitou entrar em confronto com o presidente americano. Questionado sobre o documento, Tedros limitou-se a dizer que recebeu a carta e está analisando a situação.

O mandatário da entidade se irritou com quem insistiu no assunto, mas esclareceu que a expansão da base de doadores e a busca por novas formas de financiamento estão entre as prioridades desde que assumiu o cargo, em 2017. Tedros ressaltou que 80% do financiamento do órgão vêm de contribuições voluntárias. Grande parte da verba ameaçada, advinda dos EUA, está inclusa nos outros 20%, de financiamento flexível.

“Quando demos início a essa estratégia como parte da transformação, tínhamos dois objetivos: aumentar e melhorar a qualidade do financiamento. É isso que estamos fazendo, e espero que traga melhores resultados. Já começamos a implementar nosso plano e esperamos mais fundos”, afirmou.

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