OMS alerta para perigosa 'encruzilhada' na luta mundial contra a tuberculose

Documento destaca a produção de novos remédios promissores que poderiam começar a ser comercializados já em 2013, No entanto, a criação de novos instrumentos tem um custo

Efe,

18 Outubro 2012 | 15h51

 A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira que o mundo enfrenta uma "encruzilhada" na luta contra a tuberculose que pode levar à eliminação do mal em poucos anos ou a "milhões de novas mortes".

"O impulso rumo à derrota desta doença está verdadeiramente em perigo", afirmou hoje Mario Raviglione, diretor do departamento da OMS dedicado ao combate da tuberculose, durante a apresentação do relatório anual "Controle de Tuberculose Global 2012" em Washington.

O documento destaca a produção de novos remédios promissores, os primeiros em quatro décadas, que poderiam começar a ser comercializados já em 2013.

"Na próxima década poderiam conseguir uma nova vacina antituberculose e testes diagnósticos realizáveis no local de consulta", explicou Raviglione.

No entanto, a criação de novos instrumentos tem um custo, e o relatório assinala que há um déficit de financiamento anual de US$ 1,4 bilhão para a pesquisa e desenvolvimento desses tratamentos.

O déficit "ameaça atrasar a prestação de atendimento aos pacientes e debilitar as medidas para evitar e controlar a propagação da tuberculose, sobretudo nos países de baixa receita", assinalou na mesma entrevista coletiva Katherine Floyd, coordenadora do grupo que elaborou o relatório.

Para fazer frente a este problema, a OMS pediu aos doadores que forneçam financiamento específico para este fim, e aos países que sigam investindo para salvaguardar os avanços recentes e garantir sua continuidade.

Quase 90% do financiamento fornecido por doadores externos procede do Fundo Global de Luta contra a Aids, Tuberculose e Malária.

Quanto ao restante, o estudo apresentado hoje ressalta que os tratamentos da tuberculose salvaram a vida de 20 milhões de pessoas entre os 51 milhões de pacientes diagnosticados nos últimos 17 anos no mundo todo.

"Este marco reflete o compromisso dos governos com a transformação da luta antituberculose", disse Raviglione.

Segundo o relatório, a prevalência da tuberculose no mundo todo, incluídos os casos de infecção com o vírus de imunodeficiência humana, caiu de 286 para cada 100 mil pessoas em 1990 a 170 por cada 100 mil em 2011.

No mesmo período a incidência anual da tuberculose, incluídos os casos de infecção com o HIV, no mundo todo diminuiu de 147 por 100 mil pessoas em 1990 a 125 por 100 mil.

Entre 1990 e 2011 a mortalidade por tuberculose no mundo todo, excluídos os casos de infecção com HIV, diminuiu de 24 a 14 por cada 100 mil pessoas.

O relatório detalhou que em 2011 houve cerca de 8,7 milhões de novos casos de tuberculose e que se registraram 1,4 milhões de mortes. Desse total, mais de meio milhão foram mulheres, o que faz da tuberculose uma das principais causas de morte nesse grupo.

O estudo destacou a distribuição mundial de uma nova prova diagnóstica que permite detectar a tuberculose, inclusive a farmacorresistente, em apenas 100 minutos.

Este teste totalmente automatizado de amplificação de ácidos nucléicos que permite diagnosticar a tuberculose e os casos resistentes à rifampicina, já está disponível em 67 países de baixa e média renda.

A expectativa é que a adoção deste teste rápido se amplie ainda mais após a recente redução de seu preço em 41%.

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