Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

OMS alerta para subnotificação de casos do coronavírus no Brasil

Entidade cita alto índice de resultados positivos em testes para justificar provável subestimação dos números absolutos

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

22 de junho de 2020 | 14h23

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostrou preocupação, nesta segunda-feira, 22, com a alta porcentagem de resultados positivos nos testes de covid-19 no Brasil — na casa dos 31%, de acordo com o boletim epidemiológico mais recente. Segundo a entidade, o número elevado indica baixa testagem e uma provável subotificação de casos, já que a taxa média de positivos, em outros países, costuma ser de 17%.

"Precisamos entender como quase um terço dos testes dá positivo. Provavelmente, há uma subestimação do número verdadeiro de casos. A taxa em países com testagem em massa chega até a 5%, e essa tendência não é um resultado de realizar vários testes", esclareceu Michael Ryan, diretor do programa de emergências da OMS. 

Na semana passada, Ryan afirmou que havia uma "estabilização" da doença no País. Questionado nesta segunda-feira sobre a declaração, ele justificou que os números de casos apresentaram um padrão durante as semanas de junho. O diretor, porém, chamou a atenção para os dados divulgados pelo Ministério da Saúde na última sexta-feira, 19, quando houve recorde absoluto na atualização oficial diária, de 54.771 novos infectados — resultado de uma subnotificação por falha na plataforma na quarta e na quinta-feira.

"Talvez isso reflita uma mudança na forma de divulgar os dados. Não sabemos se são números artificiais ou se estão associados a outros períodos. Na quarta e na quinta, os casos confirmados estiveram abaixo do normal. Estamos avaliando esses dados junto com a Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) e com o escritório regional da OMS no Brasil", disse.

A diretora técnica da OMS, Maria Van Kerkhove, acrescentou que é necessário reduzir a análise das estatísticas ao menor indicador possível. Segundo Van Kerkhove, é importante identificar as variações no comportamento do vírus em cada local, pois ele não se dissemina de forma equivalente ao redor de cada país.

"Pode haver diferenças em intensidade e em transmissão na comparação entre Estados. Mas é importante ir ainda mais a fundo. Onde a transmissão está acontecendo? Em unidades de saúde, em casas de repouso, relacionada a eventos específicos? É preciso ter esses detalhamentos para controlar o vírus", explicou a diretora.

Dexametasona

Diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus voltou a enaltecer os resultados preliminares dos testes com o corticoide dexametasona. Pesquisadores do Reino Unido divulgaram na última terça-feira, 16, que o medicamento reduziu em um terço as mortes por covid-19 nos pacientes graves que o utilizaram. O líder reafirmou que o remédio não deve ser usado para casos leves ou para prevenir a doença, mas pediu um aumento na produção global da droga.

"As descobertas recentes nos dão um grande motivo para comemorar. O desafio agora é ampliar a produção e distribuir rapidamente, de forma igualitária, em todo o mundo, focando onde é mais necessário. A procura aumentou após o resultado do ensaio clínico britânico. Felizmente, é um medicamento barato, e existem diversos produtores para acelerar o processo", vibrou Tedros.

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