Denis Balibouse/Reuters
Denis Balibouse/Reuters

OMS anuncia reforma financeira enquanto encara novos desafios

Crise fez diminuir o volume de contribuições fixas voluntárias dos Estados-membros da OMS

Efe

16 Maio 2011 | 15h47

Genebra - A Organização Mundial da Saúde (OMS) inaugurou nesta segunda-feira sua 64ª Assembleia Mundial perante uma iminente reforma financeira, sob a sombra de sua polêmica gestão da pandemia de gripe A e dos novos desafios para a saúde, como os acidentes nucleares.

Os representantes dos 193 Estados-membros da OMS, entre eles muitos ministros da Saúde, que debaterão até o dia 24 diversos assuntos da agenda global de saúde, escutaram a diretora geral do organismo, Margaret Chan, colocar a necessidade imperiosa de realizar uma profunda reforma financeira da instituição.

"A reforma é essencial e a OMS vai embarcar na maior reforma administrativa, de gestão e financeira de seus 63 anos de história", disse Chan em seu discurso perante os cerca de 2 mil delegados.

Chan assegurou que quando começou a crise financeira mundial, no final de 2007, "fomos advertidos por especialistas externos que aceitássemos a crise não como uma indisposição temporária que devia ser administrada com medidas temporárias, mas como o começo de uma nova era de austeridade econômica, e nós aceitamos esse conselho".

Por isso, se introduziram medidas de redução de custos e "tivemos que cortar algumas de nossas áreas tradicionais de trabalho".

Chan reconheceu que "a crise financeira bateu em muitos de nossos doadores tradicionais" e que "esta nova era de austeridade financeira reduziu os fundos disponíveis para os programas de saúde nacionais e para a ajuda oficial ao desenvolvimento".

Um dos efeitos da crise mundial é que as contribuições fixas voluntárias dos Estados-membros da OMS não deixaram de cair nos últimos anos, até o ponto que Chan prevê um déficit de US$ 300 milhões para este ano.

Segundo algumas fontes, os cortes orçamentários previstos implicariam a eliminação de 300 dos mais de 2 mil postos de trabalho de Genebra, assim como reduções nas funções do organismo.

Mas a queda nas contribuições públicas não se devem só à crise, mas também à polêmica gestão que a OMS realizou em torno da pandemia da gripe A, quando as advertências apocalípticas da agência sanitária levaram aos Governos a efetuar enormes despesas em vacinas que nunca se utilizaram.

A OMS foi então acusada de falta de independência e de estar submetida aos interesses da indústria farmacêutica, e diversas ONG advertem que a redução do financiamento público levará ao organismo a depender ainda mais do setor privado.

Precisamente em torno da gripe A, os participantes da Assembleia terão que considerar o relatório elaborado pelo Comitê encarregado de analisar se a OMS atuou corretamente.

Chan voltou a defender o papel desempenhado pela instituição nesta segunda-feira e adiantou que "o relatório exonera a OMS" de "ter declarado uma pandemia para encher os bolsos da indústria".

Por outra lado, o recente acidente nuclear da central japonesa de Fukushima, como consequência do terremoto e posterior tsunami do dia 11 de março, levantou o espinhoso assunto da relação entre energia atômica e a saúde.

A coalizão de ONG "Por uma OMS independente", que luta há anos para que se reconheçam os danos à saúde causados pelo acidente nuclear de Chernobyl, enviaram uma carta aberta a Chan pedindo mais uma vez que a OMS não se submeta aos ditados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O milionário e filantropo Bill Gates, deve discursar na terça-feira e pedir aos ministros da Saúde para priorizem as vacinas a fim de salvar milhões de vidas.

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