Christian Hartmann/Reuters
Christian Hartmann/Reuters

OMS aprova uso de 1ª vacina contra dengue

Entidade anunciou a recomendação da Dengvaxia, produzida pela empresa francesa Sanofi, em locais onde a doença é endêmica

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S Paulo

15 Abril 2016 | 08h08

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso da primeira vacina contra a dengue, depois de investimentos pelo setor privado de 1,5 bilhão de euros durante 20 anos. Após a reunião nesta sexta-feira, 15, do Grupo de Especialistas sobre Imunização (SAGE, sigla em inglês), a entidade anunciou a recomendação em locais onde a doença é endêmica. 

A informação foi dada pelo presidente do SAGE, John Abramson, que indicou que tem confiança no efeito da nova vacina, a Dengvaxia, produzida pela multinacional francesa Sanofi Pasteur. Na avaliação da OMS e da empresa, pode mudar a história do combate à doença. 

No Brasil, no México, em El Salvador e nas Filipinas, os governos e agências de regulação já haviam dado sinal verde para o uso do produto. Agora, a OMS chancela a decisão. Mas, para Abramson, governos devem usar apenas em locais onde exista uma alta taxa de transmissão da dengue, e com surtos recorrentes. Um critério que deve ser usado, segundo a OMS, é de que o vírus tenha uma prevalência de mais de 50% na região afetada.

A ideia é de que a vacina possa ser usada em programas de imunização. Segundo a recomendação da OMS, ela deve ocorrer entre crianças de 9 a 11 anos. Mas Abramson admitiu que a eficiência da vacina aumenta com os mais velhos. A vacina ainda terá de ser dada em uma série de três doses.

"Nossas recomendações levam em conta o custo-benefício", indicou Joachim Hombach, um dos membros do SAGE. "Se temos dúvidas se uma vacina pode ter efeitos colaterais em crianças, recomendamos que ela seja dada a partir dos 9 anos", explicou.

Segundo a Sanofi, a decisão vai abrir o caminho a amplas campanhas de vacinação na América Latina e na Ásia. A cada ano, a dengue afeta 390 milhões de pessoas pelo mundo, dos quais 96 milhões precisam de tratamento - 500 mil ainda são internados, e é letal em 2,5% dos casos. 

A decisão da OMS foi tomada depois da revisão de 25 estudos realizados pelo mundo, tanto em países endêmicos como em locais onde os casos não tem frequência elevada.

De acordo com a empresa, um dos principais estudos mostrou que a vacina protegeu dois terços das pessoas vacinadas na América Latina, envolvendo mais de 40 mil crianças e adolescentes. 

No que se refere às formas mais severas da dengue, o produto teria sido eficiente em 93% dos casos, com uma redução de hospitalização de 80%. 

Na avaliação da empresa, o novo produto deve permitir que os países onde a dengue é endêmica possam atingir os objetivos da OMS de reduzir em 50% a mortalidade e de até 2020.

Os dados da Sanofi indicam que, em 50 anos, os casos de dengue foram multiplicados por 30. Especialistas também alertam que, com o aquecimento global e as mudanças em certos ambientes, a densidade do mosquito vetor do vírus deva se acentuar.

A farmacêutica estima que 35 países devam agora autorizar o uso da vacina até o final do ano. A Sanofi garante que, em um primeiro momento, vai produzir cerca de 100 milhões de doses ao ano. Neste mês, o grupo lançou sua primeira campanha de vacinação, nas Filipinas. O projeto previa a imunização em 2013. Mas acabou atrasada em três anos. Duzentas mil pessoas já foram beneficiadas. 

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