REUTERS/Denis Balibouse
REUTERS/Denis Balibouse

OMS classifica América do Sul como novo epicentro da pandemia de covid-19

Entidade alerta para situação no Brasil e desaconselha, mais uma vez, o uso da cloroquina em pacientes

Guilherme Bianchini, especial para o Estado

22 de maio de 2020 | 13h16

O diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, classificou a América do Sul como “um novo epicentro” da pandemia de covid-19. Ryan destacou que o Brasil é o local mais afetado da região, e alertou para a situação no Amazonas, que registra uma das maiores taxas de incidência do País.

O Estado possui 652,4 infectados a cada 100 mil habitantes, número inferior apenas ao do Amapá (668,7), segundo atualização mais recente do Ministério da Saúde, nesta sexta-feira, 22. A taxa de incidência nacional da covid-19 é de 157,5.

Entre os sul-americanos, o Peru também registra um avanço preocupante do vírus. Atrás apenas do Brasil no continente, o país registrou 3.244 mortes e 111.698 casos confirmados do novo coronavírus até esta sexta, de acordo com dados atualizados em tempo real pela universidade Johns Hopkins.

Vizinho peruano ao sul, o Chile vive a fase mais crítica da doença nesta semana. Do dia 15 de maio até esta sexta, 22, houve um aumento de 59% nos óbitos pela covid-19, que saltaram de 394 para 630. Os casos também dispararam: até a última sexta, eram 39.542; hoje, são 61.857, o que significa um crescimento de 56%.

Na contramão do continente, o Paraguai tem, até o momento, a situação controlada. Ainda com as fronteiras com o Brasil fechadas, o país acumula 838 casos do novo coronavírus e apenas 11 mortes pela doença.

Além de chamar a atenção para os casos no Brasil, Michael Ryan voltou a desaconselhar o uso da cloroquina no tratamento de pacientes do novo coronavírus. “Sabemos que o governo aprovou o uso da cloroquina para um uso mais abrangente, mas, de acordo com as revisões sistemáticas da OMS, as evidências clínicas não apoiam o uso para tratamento da covid-19. Não antes que tenhamos resultados dos estudos em andamento”, disse.

Diretora técnica da entidade, Maria Van Kerkhove acrescentou que é necessário proteger a população vulnerável. "Há uma desproporção no risco. Todos os países têm suas populações vulneráveis, e estamos vendo maior impacto nesse grupo. Isso tem a ver com as condições de base. Precisamos trabalhar para garantir que as pessoas tenham acesso à saude, aos testes e à informação, para impedir um maior número de infecções e de mortes".

Queda na vacinação

Também nesta sexta, a OMS ligou o sinal vermelho para a queda na vacinação ao redor do mundo. Segundo a entidade, ao menos 68 países interromperam campanhas de imunização infantil de doenças preveníveis, como sarampo, poliomelite e difteria. O desfalque afeta aproximadamente 80 milhões de bebês com menos de um ano de idade.

A interrupção em escala global pode não ter precedentes desde a expansão dos programas de imunização, na década de 1970. O órgão garantiu que as campanhas de vacinação podem acontecer de maneira segura, mesmo durante a pandemia. É necessário, porém, fornecer os equipamentos de proteção individual (EPI) adequados aos profissionais de saúde responsáveis pela aplicação do imunizante.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a "epidemia da desinformação" prejudiu as campanhas de vacinação nos últimos anos. "Peço a todos que ajudem a evitar que rumores e pseudociência prejudiquem os esforços da saúde pública que salvam milhões de vidas", afirmou Tedros.

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