REUTERS/Denis Balibouse/File Photo
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OMS critica uso de remédios não testados contra coronavírus

Diretor-geral da Organização Mundial da Saúde afirmou que usar medicamentos sem evidências pode causar mais mal do que bem

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 13h34

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, criticou nesta segunda-feira, 23, o uso de remédios não testados contra o coronavírus, esclarecendo que ainda não há tratamento comprovadamente eficaz contra o vírus e pedindo ações coordenadas entre os países.

"O uso não testado de medicamentos sem evidências corretas pode gerar falsas esperanças, causar mais mal do que bem e provocar a escassez de medicamentos essenciais necessários para tratar outras doenças", advertiu ele. 

Tedros lembrou que se reunirá com os líderes dos países do G-20 nesta semana e pediu solidariedade, união e ações coordenadas. "Precisamos ser um só e agir como um só. Pedirei que trabalhem juntos para aumentar a produção, evitar proibições de exportação e garantir a distribuição com base na necessidade", disse, enfatizando que a pandemia está acelerando.  

Ele destacou que a OMS lançou um teste internacional (solidarity trial) capaz de gerar evidências robustas e de qualidade. "Pequenos estudos aleatórios não nos darão as respostas que precisamos. Quanto mais países se inscreverem no estudo, mais rapidamente obteremos resultados".  

No domingo, o Estado mostrou que testes feitos por chineses e sul-coreanos e avaliações posteriores conduzidas por pesquisadores de outros países mostraram que a cloroquina e a hidroxicloroquina são efetivas em limitar a replicação do novo coronavírus in vitro. E foi observada uma melhora em pacientes que receberam cloroquina nos dois países asiáticos. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disse que os estudos ainda não são conclusivos. 

O líder da OMS destacou que é preciso conscientizar a população para adotar medidas como a quarentena e o isolamento social. "A regra do jogo para expulsar o coronavírus é a solidariedade". Lembrou, no entanto, que essas são medidas defensivas, e recomendou uma luta agressiva contra a pandemia que já atinge mais de 300 mil pessoas. "Para vencer, precisamos atacar o vírus de maneira agressíva e com táticas direcionadas. Testar todos os suspeitos, isolá-los e cuidar dos contaminados". 

Campanha com a Fifa  

Para atingir o maior número de pessoas, a OMS e a Federação Internacional de Futebol (Fifa) lançaram uma campanha conjunta para conscientizar sobre os perigos da pandemia e destacar as medidas necessárias para conter a doença.

Tedros afirmou que trabalhar em conjunto com a Fifa é importante para passar a mensagem ao maior número de pessoas possível. "O futebol pode atingir milhões de pessoas, especialmente os jovens", afirmou Tedros. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse que a campanha significa muito neste momento e que os jogadores de futebol são exemplo para muitas pessoas. "Precisamos mostrar liderança e solidariedade nesses dias difíceis", afirmou. "Eles querem destacar as recomendações dadas a todos nós pela OMS". 

Entre os jogadores e ex-atletas estão nomes como o argentino Lionel Messi, o italiano Gianluigi Buffon, o camaronês Samuel Eto'o e o brasileiro Alisson Becker, goleiro da selação. A americana Cari Lloyd e a chinesa Han Duan também fizeram parte do vídeo. 

Jovens

Na semana passada, a OMS havia alertado sobre o papel dos jovens na luta contra a pandemia do coronavírus. "Vocês não são invencíveis. Esse vírus pode colocar você no hospital por semanas ou até matar. Mesmo que não fique doente, as escolhas que faz sobre onde ir podem fazer a diferença sobre a vida ou a morte de outra pessoa", afirmou. "A solidariedade é a chave para combater a covid-19, entre países e entre pessoas". 

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