Sunday Alamba/AP
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OMS declara Nigéria livre do surto de Ebola

País passou 42 dias sem novos casos da doença; ao todo, foram 20 casos registrados no país, com oito mortes, apontam dados da OMS

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

20 Outubro 2014 | 08h35

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) comemora a primeira vitória contra o vírus do Ebola e declara que o surto na Nigéria acabou. A informação foi revelada depois que 42 dias se passaram sem um novo caso. No total, 19 pessoas foram contaminadas pela doença no país, dos quais sete morreram.

O controle do Ebola na Nigéria era considerado por governos de todo o mundo e pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma prioridade. Afinal, apenas a cidade de Lagos contém uma população equivalente a dos três países mais afetados pela doença, Libéria, Guiné e Serra Leoa. O temor era de que, uma vez na Nigéria, o vírus poderia se espalhar para toda a África e afetar milhares de pessoas. O temor também era de que o vírus afetaria uma das economias mais importantes da região e com contatos comerciais com todo o mundo.

"A OMS declara oficialmente a Nigéria como livre da transmissão do vírus", apontou a entidade, que admitiu que o país poderia ter sido "o caso potencialmente mais explosivo" do Ebola.

Mais da metade da população de Lagos vive em favelas e as condições de higiene são das piores. O governo norte-americano chegou a alertar que duas palavras não poderiam estar em uma mesma frase: "Lagos" e "Ebola". Washington não economizou alertas e apontou que um surto na cidade poderia ser de proporções "apocalípticas".

Para a OMS, o exemplo da Nigéria precisa ser observado por outros países em desenvolvimento e tido como modelo para mostrar que o vírus pode ser freado.

Na avaliação da entidade, porém, o sucesso não aconteceu por acaso. No início do ano, o governo nigeriano anunciou importantes resultados no setor de saúde e novos investimentos.

Para a OMS, quando o Ebola chegou, foram justamente esses recursos que salvaram o país.

O primeiro caso foi de uma pessoas que, no dia 20 de julho, chegou a Lagos em um avião da Libéria. Ele se recusou a admitir que estava com a doença, mas vomitou no avião e foi levado direto a um hospital, onde morreria.

Ação. Com dinheiro da OMS e do governo norte-americano, o governo nigeriano conseguiu identificar 100% dos contatos que manteve um primeiro paciente, isolando a todos. No centro de produção de petróleo do país, Port Harcourt, 98% das pessoas que tiveram contato com o primeiro caso também foram isoladas.

Centros foram criados e todos que tiveram contato com os doentes foram mantidos afastados do público por 21 dias. Alguns chegaram a fugir, mas foram levados de volta aos centros.

Ao final, a taxa de mortalidade da doença na Nigéria ficou em apenas 40%, bem abaixo dos 70% no restante da África.

Apesar do sucesso na Nigéria, a doença já contaminou mais de 9,2 mil pessoas na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa, e não há sinais de que esteja sendo controlada.

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