EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI
Diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus EFE/EPA/SALVATORE DI NOLFI

OMS declara pandemia de novo coronavírus; mais de 118 mil casos foram registrados

Nas duas últimas semanas, o número de casos de covid-19 fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 13h54
Atualizado 05 de julho de 2020 | 18h32

SÃO PAULO - A Organização Mundial da Saúde declarou que a rápida expansão do novo coronavírus pelo mundo já se configura como uma pandemia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 11, pelo diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante coletiva de imprensa. Nas duas últimas semanas, o número de casos de Covid-19 fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou.

Agora, são mais de 118 mil casos em 114 países e pelo menos 4.291 mortes registradas. "Milhares de outras pessoas estão lutando pelas suas vidas em hospitais. Nos próximos dias, esperamos ver o número de casos de covid-19, o número de mortes e o número de países afetados escalar ainda mais", afirmou Ghebreyesus.

A OMS vinha relutando nos últimos dias em declarar pandemia com o temor de que isso poderia não só gerar pânico como poderia ser interpretado como um sinal de que os países poderiam abandonar seus esforços de tentar conter a doença. Optou-se por aumentar o nível de alerta para o risco de transmissão a fim de aumentar o sentimento de urgência entre os países por ação.

Mas nesta quarta, Ghebreyesus cedeu ao dizer que todos na organização estão "profundamente preocupados tanto com o níveis alarmantes da dispersão e da severidade dos casos, assim como com a níveis alarmantes de falta de ação". "Portanto, avaliamos que a covid-19 pode ser caracterizada como uma pandemia", declarou.

Apesar disso, o diretor da organização ponderou que a palavra pandemia não deve ser usada de maneira descuidada. "É uma palavra que, se mal utilizada, pode causar medo irracional ou aceitação injustificada de que a luta acabou, levando a sofrimento e morte desnecessários", disse.

Ele afirmou que a nova classificação da doença não altera a avaliação da OMS sobre a ameaça que o novo coronavírus representa nem o que a entidade está fazendo e o que os países devem fazer. "Nunca vimos uma pandemia provocada por um coronavírus. E nunca vimos uma pandemia que possa ser controlada ao mesmo tempo."

Para Entender

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A Sars, por exemplo, também provocada por um coronavírus, apesar de ter se espalhado por vários países, com uma taxa de mortalidade muito mais alta, não chegou a ser considerada uma pandemia. A última vez que a OMS declarou uma pandemia foi com o H1N1, em 2009. A decisão foi adotada então quando o quadro era muito menos grave que agora. Havia 30 mil casos em 74 países.

O diretor-geral da OMS insistiu, porém, no que já havia dito na na segunda-feira, 9, de que o número total de casos e de países não conta a história completa. "Dos 118 mil Casos de covid-19 registrados globalmente em 114 países, mais de 90% estão em apenas quatro países, e dois deles - China e Coreia do Sul - têm epidemias em declínio significativo."

Ghebreyesus lembra que 81 países ainda não relataram nenhum caso e 57 países relataram 10 casos ou menos. "Não podemos dizer isso em voz alta o suficiente, ou com clareza ou frequência suficientes: todos os países ainda podem mudar o curso dessa pandemia", avalia.

Em outro momento de sua fala, o diretor pediu, mais uma vez, para que os países ajam rapidamente no sentido de detectar, testar, tratar, isolar e rastrear casos. Se todos fizerem isso, diz, os países que ainda têm apenas um punhado de casos podem impedir que eles se tornem clusters e que esses clusters se transformem em transmissão comunitária.

Segundo Michael Ryan, diretor executivo do programa de emergências da OMS, Itália e Irã são as nações que mais estão sofrendo agora com a rápida dispersão da doença, mas estimou que, em breve, muitos outros países podem passar por isso. Os dois países hoje lideram em número de casos, apenas atrás da China, e vêm apresentando um crescimento acelerado de casos dia após dia.

Em 24 horas, o número de mortes na Itália subiu 31%, chegando a 827 nesta quarta. Foram 196 mortes a mais desde terça-feira, de acordo com a Agência de Defesa Civil do país. O número total de casos chegou a  12.462, ante os 10.149 de terça. O Irã tem cerca de 9 mil casos, com 354 mortes.

Ryan insistiu que a mudança de status da doença não deve ser vista como uma declaração para que os países comecem a adotar somente uma estratégia de mitigação dos casos. Segundo ele, as nações que ainda estão com poucos casos devem continuar trabalhando para suprimir a transmissão enquanto for possível e preparar o sistema de saúde para os casos que vão chegar.

O maior problema, alerta, é que se os países não tentarem conter ou desacelerar a infecção, poderão ver um descontrole e um colapso do sistema de saúde.

Os representantes da OMS frisaram a mensagem para os países que ainda não têm nenhum caso ou aqueles que têm até 10 casos, que somam juntos 138 países. "Seria um erro neste momento abandonar as estratégias de contenção. Isso tem de ser um pilar principal", afirma Ghebreyesus. O diretor-geral defende que é preciso pensar em estragégias combinadas de contenção e mitigação nos países com mais casos.

Diante da mudança de status da doença, a OMS também voltou a lembrar que alguns países conseguiram conter a elevação de novos casos, como a Coreia do Sul e Cingapura, além da própria China. Segundo Maria Van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da entidade, esses países conseguiram inverter a maré de alta da epidemia ao aplicar o que ela chamou de “fundamentos básicos de saúde pública”. “Não é nada de especial ou único, mas a rigorosa aplicação de medidas de saúde pública”, disse. 

Ela se refere a levar a sério a epidemia desde o começo, preparando laboratórios para testagem e hospitais para os casos mais graves. Maria elogiou a estratégia adotada na Coreia do Sul de fazer testes em massa, agressivamente localizando pessoas contaminadas e os seus contatos, colocando-os em quarentena. Ela aponta também para a necessidade de mobilizar a população para que todo mundo faça sua parte.

Segundo Van Kerkhove, proteger-se contra a doença não é bom somente para o próprio indivíduo, mas também para evitar a progressão da transmissão, salvaguardando assim os mais vulneráveis. Individualmente, as pessoas também têm de atentar para só procurar tratamento se estiverem muito doentes.

A recomendação para casos leves continua sendo ficar em casa a fim de deixar os hospitais somente para os casos graves que precisam, por exemplo, de ventilação. Esse vem sendo um problema, por exemplo, na Itália, que não tem ventilação suficiente para todos os casos que estão chegando ao sistema de saúde, o que pode estar contribuindo para o alto indíce de mortalidade observado no país.

Para Maria Van Kerkhove, os países e os indivíduos precisam se questionar frequentemente: “Estamos fazendo o suficiente?” E recomenda: "Identifiquem os buracos na sua estratégia e vejam se estão fazendo o suficiente".

O que é uma pandemia?

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pandemia é a disseminação mundial de uma nova doença. A entidade utiliza seis fases para classificar os surtos, sendo a pandemia o último deles.

Para a OMS, esse estado se caracteriza pela presença do surto em ao menos dois continentes, com a transmissão do vírus ocorrendo entre seres humanos. 

Deisy Ventura, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e especialista em saúde global, diz que pandemia é o reconhecimento técnico da propagação internacional da doença e não altera os planos de contingência para enfrentamento do coronavírus que já estavam em implementação desde que a OMS decretou estado de emergência. 

Quando foi a última pandemia?

A última vez que a OMS decretou pandemia foi em 2009, com o surto de Influenza A (H1N1).

Porque foi decretado pandemia agora?

A decisão foi tomada depois que, nas últimas duas semanas, o número de casos de coronavírus fora da China ter aumentado 13 vezes e o número de países afetados ter triplicado. Ainda assim, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que ele e sua equipe estão "profundamente preocupados tanto com o níveis alarmantes da dispersão e da severidade dos casos, assim como com a níveis alarmantes de falta de ação [de alguns países]". 

Ao decretar pandemia, a OMS indica que o coronavírus deve se espalhar mais ou mais rapidamente?

Não, o decreto não altera a forma como o vírus está se propagando. O que a OMS espera é que os países mudem a forma como estão enfrentando o vírus. "Essa mudança não diz nada sobre a evolução da transmissão do vírus, se ele vai ser transmitido mais rápido ou para mais locais. Não há razão para pânico. O objetivo dessa medida é para que as pessoas deem importância à situação e se preparem de acordo com as recomendações locais".

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Sobe para 52 o número de casos confirmados de novo coronavírus no Brasil

Os casos estão distribuídos por oito Estados, sendo que São Paulo lidera com 30 registros, seguido pelo Rio de Janeiro com 13

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 17h05

SÃO PAULO - Subiu para 52 o número de pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil, segundo dados atualizados pelo Ministério da Saúde na tarde desta quarta-feira, 11. Ao todo, a pasta monitora 907 casos suspeitos e já descartou 935 análises que deram negativo para a Covid-19.

Nesta tarde, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou de uma reunião da Comissão Geral na Câmara dos Deputados para atualizar a situação da doença aos parlamentares. O encontro ocorreu pouco depois de a Organização Mundial da Saúde decretar pandemia do novo vírus, com mais de 118 mil casos registrados no mundo.

"Agora, de uma maneira até certo ponto tardia, a OMS concorda com a posição brasileira de pandemia. O Brasil já vinha alertando para isso", disse o ministro. Mandetta também elogiou a resposta do sistema de saúde público diante da situação no País. "Nossa vigilância em saúde foi a que fez os movimentos mais antecipados", disse. "Fomos os primeiros a falar que é pandemia."

Mandetta repassou aos deputados e convidados para a comissão o planejamento do ministério para ampliar o antedimento na atenção primária. Uma das medidas é repassar a municípios até R$ 900 milhões para aumentar de 1,5 mil para 6,7 mil o número de postos de saúde com atendimento ampliado.

"O vírus é extremamente duro e deruba o sistema de saúde. Se ele [o vírus] não tem letalidade individual elevada, ele tem letalidade ao sistema de saúde", afirmou o ministro da Saúde. Mas ele afirma que não há "uma receita de bolo para o Brasil" e que é preciso avaliar a situação de cada Estado.

O Ministério da Saúde estima que o número de casos do novo coronavírus é dez vezes maior do que aquele que se conhece, o que ultrapassaria um milhão de pessoas infectadas.

Casos de coronavírus no Brasil por Estado

Alagoas: 1

Bahia: 2

Minas Gerais: 1

Espírito Santo: 1

Rio de Janeiro: 13

São Paulo: 30

Rio Grande do Sul: 2

Distrito Federal: 2

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Após OMS declarar pandemia, ministro da Educação cogita antecipar férias escolares

Em vídeo publicado no Twitter, Abraham Weintraub disse que as instituições devem se preparar para medidas emergenciais pontuais e que cenário de contingência é a melhor solução

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 16h42

SÃO PAULO - Após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que as instituições de ensino precisam se planejar para algumas medidas emergenciais pontuais.

Segundo ele, neste momento, no Brasil, a prevenção é o mais importante. "Não há razão alguma para pânico, mas orientamos que as instituições de ensino se planejem para a possibilidade, ainda que futura, de algumas medidas emergenciais pontuais."

Em vídeo publicado no Twitter, nesta tarde de quarta-feira, 11, Weintraub cogitou a possibilidade de antecipar as férias escolares. Diante do cenário, as faculdades e institutos também são aconselhadas a organizar trabalho remoto dos seus funcionários. "(Vamos) deixar muito com os gestores a flexibilidade de adaptar e mandar sugestões (ao ministério), como mudar as férias. Pensem em um cenário de contingência. Esta é a melhor solução." 

"Por parte do Ministério da Saúde, nós já estamos nos preparando, sempre orientados pelo Ministério da Saúde, para que caso venha acontecer qualquer coisa, os danos sejam os menores possíveis. Uma cidade ou região que precise ter atenção mais especial para que tenhamos pronto um plano de aulas remotas", disse.

Ele destaca que as instituições também devem minimizar aglomerações e a realização de reuniões, simpósios e seminários.

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"Por enquanto são poucos casos (no Brasil). E eu confio 100% no ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e no presidente Jair Bolsonaro para conduzir o Brasil por esta crise", afirmou o ministro. 

No dia anterior, na terça-feira, 10, o ministro da Educação zombou da possibilidade da presidente da ONG Todos Pela Educação, Priscila Cruz, estar com a doença, também pelo Twitter.

Ele havia criticado a especialista em outras mensagens que falavam do evento. Priscila tem feito críticas a Weintraub e aos problemas na atual gestão. “A despeito de um MEC inoperante, a educação não ficou parada”, disse ela, na abertura do evento nesta segunda-feira.

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USP confirma primeiro caso de coronavírus

Reitoria da universidade está levantando histórico de circulação do aluno; atividades do Departamento de Geografia foram suspensas

Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 13h17

SÃO PAULO - A Universidade de São Paulo (USP) confirmou nesta quarta-feira, 11, o primeiro caso de coronavírus em um de seus estudantes. As aulas no Departamento de Geografia, onde o aluno infectado estuda, foram suspensas após a confirmação.  

Em nota, a USP informou que o aluno foi infectado pela parceira que viajou à Itália. A mulher não faz parte da comunidade universitária. A unidade de vigilância em saúde do Butantã está fazendo o acompanhamento das pessoas que tiveram contato mais próximo com o estudante (contactantes) e que não apresentaram nenhum sintoma da doença até o momento.

A universidade disse ainda que manterá as atividades didáticas e administrativas em todas as suas unidades de ensino e pesquisa, conforme orientação das autoridades sanitárias estadual e federal. Segundo a nota, a decisão de suspensão das aulas na Geografia nesta quarta foi "unilateral" e somente para este dia. A Reitoria disse que só vai suspender as atividades se houver uma recomendação do Ministério da Saúde. 

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), da USP, informou que está levantando o histórico de circulação pelo câmpus do estudante confirmado com coronavírus. Cerca de 105 mil pessoas frequentam diariamente a universidade, entre alunos, professores e funcionários. 

O estudante está no 1º ano do curso, que iniciou o semestre letivo nesta segunda-feira, 9. Esse foi o único caso confirmado de coronavírus na USP, que já investigou outros casos suspeitos, mas foram todos descartados. 

Comitê de monitoramento

Depois da confirmação do caso de coronavírus no estudantes, a USP informou que vai criar um comitê permanente para acompanhar a evolução da presença do vírus entre alunos, professores e servidores em todos os campus. O grupo é formado por profissionais do Hospital Universitário e representantes da secretaria estadual de Saúde.

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Estadual Pauliosta (Unesp) também montaram comitês para acompanhar a situação em seus campus e para elaborar planos de contingência caso seja necessário suspender as atividades. 

A situação das universidades é considerada mais sensível do que a de escolas pela grande mobilidade de professores e alunos

Escolas

Duas escolas particulares de São Paulo já tiveram casos confirmados de coronavírus entre seus alunos. Um deles no colégio Bandeirantes, que manteve as atividades normalmente, e outro no colégio Avenues que suspendeu as aulas por uma semana. 

Ainda nesta quarta, logo após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar pandemia do novo coronavírus, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que as instituições de ensino precisam se planejar para algumas medidas emergenciais pontuais. Ele cogitou a possibilidade de antecipação das férias escolares e aconselhou universidades e institutos de ensino a organizar trabalho remoto dos seus funcionários.

"(Vamos) deixar muito com os gestores a flexibilidade de adaptar e mandar sugestões (ao ministério), como mudar as férias. Pensem em um cenário de contingência. Esta é a melhor solução", disse.  

 

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Entenda as diferenças entre surto, epidemia e pandemia

OMS declarou nesta quarta-feira pandemia de coronavírus; diretor da entidade afirmou que há mais de 118 mil casos em 114 países e 4.291 pessoas morreram

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2020 | 14h06

A confirmação da presença do novo coronavírus em todos os continentes está causando preocupação sobre a capacidade de reação global à doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu nesta quarta-feira, 11, declarar a Covid-19 como uma pandemia. "Nas duas últimas semanas, o número de casos de covid-19 fora da China aumentou 13 vezes e o número de países afetados triplicou", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus.

Ghebreyesus afirmou que há mais de 118 mil casos em 114 países e 4.291 pessoas morreram. "Milhares de outras estão lutando pelas suas vidas em hospitais", falou.

Entenda como é feita a classificação pela OMS:

  • Surto

É o surgimento repentino de uma doença com uma frequência mais alta que o normal, em um determinado momento e local. Como por exemplo, uma comunidade, um povoado, uma instituição fechada.

  • Epidemia

Um grande surto que afeta uma região maior ou país. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia varia conforme o agente, o tamanho e o tipo de população exposta, sua experiência prévia ou ausência de exposição à doença, e o lugar e tempo de ocorrência.

  • Pandemia

A propagação mundial de uma nova doença é chamada de pandemia. A OMS declarou pandemia relacionada ao Covid-19 nesta quarta-feira.

Em linhas gerais, é pandemia uma doença espalhada em todo o mundo, que afeta um grande número de pessoas e que tenha transmissão sustentada de novos casos nesses locais. Não há, no entanto, um número fixo de casos ou de países afetados para que a situação seja caracterizada.

Na segunda-feira, 9, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que, diante deste quadro, “a ameaça de uma pandemia era real”. A organização, porém, não tinha uma regra clara do que faz uma doença ser considerada uma pandemia.

A Itália começou a adotar medidas dramáticas de restrição de movimentação de seus habitantes no domingo, 8. Em todo o mundo, eventos estão sendo cancelados, escolas fechadas, grandes concentrações de pessoas inibidas a fim de tentar evitar a dispersão.

Na China, de 80 mil casos reportados, mais de 70% das pessoas se recuperaram.

Gripe Espanhola

O mundo viveu várias pandemias mortais de gripe, sendo a mais grave a da gripe espanhola, que infectou um terço da população mundial e matou dezenas de milhões de pessoas.

No dia 11 de março de 1918, nos Estados Unidos, era registrado o primeiro caso do que viria a ser a pandemia mais mortífera da história. Enquanto a primeira guerra mundial matou 20 milhões de pessoas em quatro anos, o vírus do que ficou conhecido como gripe espanhola mataria de 50 milhões a 100 milhões em apenas alguns meses.

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Congresso deve liberar à Saúde até R$ 5 bilhões para combate ao novo coronavírus

A ideia é que o dinheiro fique livre para o Ministério da Saúde usar como melhor entender, desde que para enfrentar a doença. O ministro reconheceu que a pasta irá precisar de recursos para combater o avanço do vírus

Mateus Vargas, Julia Lindner e Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 17h43

BRASÍLIA - O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), disse nesta quarta-feira, 11, que o Congresso Nacional deve liberar R$ 5 bilhões, via emendas feitas ao orçamento, para o enfrentamento ao novo coronavírus.  O valor é parte dos cerca de R$ 15 bilhões que serão indicados pelo relator do orçamento, deputado Domingos Neto (PSD-CE), e seria separado de R$ 5,8 bilhões previstos à saúde. 

"Muito obrigado ao presidente (da Câmara) Rodrigo Maia por ter sensibilizado todos os líderes a liberar essas emendas do relator", disse Mandetta em comissão da Câmara que debate o confronto à doença.

O Estado apurou que de R$ 3 bilhões a R$ 5 bilhões devem ser liberados para confronto à nova doença. Parte dos recursos de "emendas de relator" já seriam destinadas à saúde, mas Domingos Neto iria apontar como a verba seria alocada. Agora, a ideia é que o dinheiro fique livre para a Saúde usar como melhor entender, desde que para enfrentar a doença.

O relator do Orçamento, deputado Domingos Neto (PSD-CE), disse que o Congresso será "solidário à situação do novo coronavírus". Ele ponderou que destinar emendas para combate à doença depende dos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Rodrigo Maia.

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Mandetta disse que o Brasil está na fase de "recomendações" sobre a doença, mas que pode partir para "determinações", conforme o número de casos aumentar. 

O ministro reconheceu que a pasta irá precisar de recursos para enfrentar a doença. Ele citou o investimento de R$ 900 milhões para aumentar de cerca de 1,5 mil para 6,7 mil o número de postos de saúde que atendem em horário estendido. 

Segundo Mandetta, o governo ainda avalia medidas restritivas mais rígidas sobre a doença, como evitar o contato social para pessoas acima de 60 anos ou com doença crônica, estimular o trabalho home office ou mudar regras sobre falta ao emprego e atestado médico. 

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'Outras gripes mataram mais que essa', diz Bolsonaro sobre coronavírus

Presidente disse que conversará com o ministro da Saúde sobre a situação do surto da doença. 'Eu não sou médico, não sou infectologista'

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2020 | 17h51

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 11, que ainda deve conversar com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, sobre a situação do surto de coronavírus. “Vou ligar para o Mandetta agora a pouco. Eu não sou médico, eu não sou infectologista. O que eu ouvi até o momento, outras gripes mataram mais do que essa”, disse.

Questionado se a disseminação do Covid-19 poderia atrapalhar a convocação para as manifestações do próximo domingo, 15, o presidente não respondeu e negou ter convocado a população para os atos. “Eu não convoquei ninguém, pergunta para quem convocou”, declarou.

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No sábado, 7, entretanto, Bolsonaro voltou a citar os atos do próximo domingo e chegou a dizer: “Participem e cobrem de todos nós o melhor para o Brasil”. Na ocasião, ele destacou que as manifestações eram “pró-Brasil” e não contra o Congresso Nacional e o Judiciário.

Pandemia

Nesta quarta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o coronavírus uma pandemia, quando o estágio de transmissão de uma doença é global. A organização informou que 118 mil pessoas foram diagnosticadas com o vírus em 114 países. Os números da OMS indicam 4.291 mortes pela doença até o momento.

O ministro Mandetta compareceu nesta quarta à Câmara dos Deputados para falar sobre o assunto. A última atualização do Ministério registrou 52 casos de infecção pelo Covid-19, em oito estados. Os casos suspeitos são 907 e os descartados já são 935. Os confirmados se dividem em 30 em São Paulo, 13 no Rio de Janeiro, dois na Bahia, dois no Rio Grande do Sul, dois no Distrito Federal, um no Espírito Santo, um em Alagoas e um em Minas Gerais.

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