AFP Photo/Fundo de Investimento Direto da Rússia
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OMS reforça que não tem informações suficientes sobre vacina russa contra covid-19

A entidade reafirmou que está em contato com autoridades do país para obter dados sobre o imunizante

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2020 | 13h06

O conselheiro-sênior da Organização Mundial da Saúde (OMS), Bruce Aylward, afirmou nesta quinta-feira, 13, que a entidade ainda não tem dados para avaliar a vacina desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia, contra o novo coronavírus.

“Não temos informações suficientes para comentar sobre ela”, afirmou o conselheiro durante coletiva de imprensa. Ele acrescentou que a agência está em conversas com autoridades russas para obter os resultados e entender melhor o imunizante.

Aylward também informou que a imunização não está entre as nove inicialmente incluídas no portfólio da iniciativa Covax. Esse grupo internacional de países, feita pela OMS e instituições parceiras, é parte do Acelerador de Acesso às Ferramentas da covid-19 (ACT), que visa a agilizar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos e garantir acesso global a eles. Atualmente 165 vacinas estão em desenvolvimento, sendo 26 destas na fase de teste com humanos, de acordo com a entidade

As declarações estão de acordo com o que foi dito pelo diretor-assistente da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, na terça-feira, 11. Ele disse que tanto a Opas, braço na América Latina da OMS, como a própria entidade global só poderão recomendar ou não a vacina após avaliação dos dados que forem entregues pela agência reguladora da Rússia.

Barbosa acrescentou que, pelo protocolo mundial para aprovação, um imunizante precisa passar por três fases de testes. Nesta semana, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que a imunização do Gamaleya foi a primeira a ter regulamentação aprovada no mundo, mesmo sem conclusão da fase 3 de testes em humanos. 

No Brasil, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, não descartou o uso, mas afirmou que as informações sobre a vacina da Rússia ainda são incipientes. Nessa quarta-feira, 12, o Governo do Paraná assinou um acordo com o país para avançar em estudos sobre o imunizante

OMS critica compra das vacinas por países

Durante a coletiva de quinta-feira, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu novamente que nações que não aderiram ao ACT, se tornem parte da ação, que já conta com a assinatura de países que representam 70% da população global. Para funcionar, a iniciativa precisa de um primeiro financiamento de US$31,3 bilhões (R$1,7 trilhões).

Para contrapor custos, Tedros apontou que somente países do G-20 já gastaram mais de U$10 trilhões (R$50 trilhões) em medidas fiscais para mitigar os efeitos econômicos da pandemia. "O financiamento do ACT custará uma pequena parte em comparação à alternativa em que as economias retraem ainda mais e exigem pacotes de estímulo fiscal contínuos", afirmou.

A entidade defende que o grupo não somente é a única forma de garantir distribuição igualitária de tratamento e imunização contra covid-19, como também permite dividir os riscos de apostar em vários candidatos para combater a pandemia.

O diretor-geral criticou as compras unitárias por parte dos países. "O excesso de demanda e a competição pelo fornecimento já estão criando nacionalismo de vacinas e risco de aumento de preços".

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