OMS: déficit de profissionais da saúde pode chegar a 12,9 milhões até 2035

Brasil ocupa 19.ª posição nas Américas; País tem 31,4 mil profissionais da saúde por 10 mil habitantes, aquém do parâmetro de 34,5/10 mil estipulado pela Organização Mundial de Saúde

Angela Lacerda,

11 Novembro 2013 | 18h19

RECIFE - O Brasil tem 31,4 mil profissionais da saúde por 10 mil habitantes, aquém do parâmetro de 34,5/10 mil estipulado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para que um país possa ser considerado prestador de assistência global de saúde. A informação consta do relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre a carência de profissionais intitulado "Não há saúde sem força de trabalho", divulgado ontem (11) no III Fórum Global de Recursos Humanos para a Saúde, no Centro de Convenções, no Recife, com a participação de 85 países.

O Brasil está atrás de Cuba (134,6), dos Estados Unidos (125,1), da Venezuela (67,4) e do Paraguai (34,4) e à frente do México (26,5), da Colômbia (19,7) e do Haiti (3,6). Ocupa a décima-nona posição entre os países das Américas. O mínimo recomendado pela OMS é de 22,8 mil profissionais por 10 mil habitantes. Mais de 80 países estão abaixo deste patamar, a maioria deles da África Subsariana, segundo o relatório, enquanto 70% dos países das Américas têm número suficiente de profissionais da saúde - médicos, enfermeiras e parteiras - mas estes estão mal distribuídos nos seus territórios e não atendem à toda a população.

De acordo com a assistente geral da OMS em Genebra, Marie-Paule Kieny, o déficit de profissionais da saúde no mundo poderá chegar a 12,9 até 2035 se os governos de todo o mundo nada fizerem em relação ao assunto. "Hoje este déficit é de 7,2 milhões", alertou ela, em entrevista coletiva.

O relatório, segundo Kieny, traz diretrizes para que o mundo possa se organizar e fazer frente a este desafio. "Uma das políticas recomendadas é a de procurar reter os profissionais na saúde básica primária", observou. 

Ambiguidade. "Estamos na faixa intermediária, avançamos nos últimos anos, mas ainda temos muito o que fazer para trabalhar com critérios de acessibilidade e qualidade", reconheceu o secretário de Gestão na Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales. "Temos a compreensão de que vivemos uma situação de ambiguidade com profissionais com alta especialização em grandes centros e grande parte do território brasileiro, como a Amazônia e o semiárido, com ausência de profissionais".

Ele assegurou que o programa "Mais Médicos" vai ajudar a avançar na redução desta desigualdade e melhorar o acesso da população aos serviços médicos.

O diretor do Banco Mundial, Tim Evans, disse que a instituição tem como objetivo principal baixar a taxa de pobreza de 20% para 3% até 2030. "O setor de saúde é essencial para que este objetivo seja alcançado", destacou ele, ao afirmar quer a estratégia do banco é que até 2030 ninguém venha a se tornar pobre devido aos gastos com a saúde.

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