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OMS denuncia 'epidemia' de cesáreas no mundo; Brasil é líder

Segundo diretora da entidade, alta ocorre por causa do aumento da segurança do procedimento e da influência de médicos e hospitais

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

10 Abril 2015 | 07h58

Atualizado às 22h05

GENEBRA - A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou que o aumento de cesáreas em todo o mundo nos últimos 20 anos transformou o parto cirúrgico em uma “epidemia”. E no topo do ranking dos países que mais realizam o procedimento está o Brasil. A divulgação foi feita em Genebra, na tentativa de convencer médicos, hospitais e mulheres a repensarem os partos. Para a OMS, a prática deve ser realizada apenas quando houver “motivos médicos”. 

De acordo com a entidade, todas as regiões do mundo registraram aumento de cesáreas. Na Europa, a taxa passou de 15% para algo entre 20% e 22%. Nos Estados Unidos está em 32,8%. No Brasil, o porcentual foi de 52,3%, em 2010, para 53,7%, em 2011, e as estimativas indicam que chegou a 55% em 2014.
“Os casos aumentaram de forma exponencial. Vivemos uma epidemia”, afirmou a ginecologista Marleen Temmerman, diretora de Saúde Reprodutiva da OMS. A entidade defende que a taxa ideal de cesáreas é até 15%.

Em apenas dois países o parto natural não é maioria – além do Brasil, o Chipre, com 50%. Por falta de dados, a OMS não consegue incluir todos os países no ranking, mas também figuram com alto porcentual o Irã (47%), a República Dominicana (43%) e a Colômbia (42%). 

Matin Gulmezoglu, coordenador do Departamento de Saúde Maternal da OMS, disse que governo e entidades brasileiras estão tentando reduzir a taxa. “Mas não é uma tarefa fácil, pois a prática está disseminada.”

Motivos. Segundo Marlen, há várias razões para a alta. “Em primeiro lugar, essas operações são mais seguras hoje, com antibióticos e anestesia.” Mas a diretora da OMS também culpa médicos e hospitais. “Quando há a medicalização dos partos, vemos um aumento das cesáreas. Para hospitais e médicos, a cirurgia é mais fácil, pois eles conseguem ter uma agenda. É uma questão logística, não financeira.”

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