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OMS diz que expansão de Ebola na Europa é 'quase inevitável'

Continente intensificou mobilização para evitar surto de Ebola; UE, França e Reino Unido criam centros de combate ao vírus

Andrei Netto , CORRESPONDENTE

08 Outubro 2014 | 18h30

PARIS - Autoridades sanitárias da União Europeia e de países-membros como França e Grã-Bretanha intensificaram nas últimas horas as medidas de organização para o eventual risco de surto de Ebola no continente. O temor ganhou realismo depois que uma enfermeira espanhola do Hospital Carlos III, uma referência em Madri, foi internada com a doença porque teria tido contato com uma luva contaminada. Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expansão da doença é quase inevitável.

A advertência sobre o alto risco de propagação da vírus na Europa foi feita pela diretora da organização no continente, Zsuzsanna Jakab. "É quase inevitável que estes incidentes venham a acontecer no futuro por causa das viagens extensivas da Europa para países infectados e vice-versa", alertou. "O mais importante é que na Europa o risco ainda é baixo, e que a Europa Ocidental em particular é a melhor preparada no mundo para responder e febres hemorrágicas virais como o Ebola."


Apesar da alta qualidade do sistema de saúde europeu, a forma como a enfermeira Teresa Romero Ramos foi atendida em Madri após revelar sintomas da doença chocou a opinião pública do continente. Nesta quarta, Teresa afirmou ter advertido pelo menos três vezes as autoridades espanholas de que estava com febre, e só então foi colocada em quarentena no hospital Alcorcón, onde está em isolamento. Desde então, 50 pessoas foram colocadas sob monitoramento, entre eles membros da equipe da enfermeira. 

Também as razões de seu contágio assustaram a opinião pública. Após ter tido atendido em duas oportunidades o missionário Manuel Garcia Viejo, que morreu em razão da doença, Teresa teria se contaminado a partir do contato com uma luva. "Parece ter sido as luvas que tocaram seu rosto", afirmou Germán Ramirez, especialista em doenças tropicais que investiga as causas do incidente.

As revelações colocaram o governo do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, na defensiva. Nesta quarta o premiê garantiu que todos os suspeitos estão sendo monitorados, e pediu calma à população. "Nós vamos superar isso", garantiu o chefe de governo.  

Em Bruxelas, no entanto, o caso espanhol gerou a mobilização das autoridades da União Europeia, que lançou informações aos viajantes e profissionais de saúde sobre a prevenção ao Ebola e identificação da doença. A Comissão Europeia enviou ainda dois experts do Centro Europeu de Prevenção e de Controle de Doenças (CPCM), de Estocolmo, a Madri para acompanhar as autoridades locais.

As medidas de prevenção também vêm sendo tomadas pelos países-membros. Na França, o Ministério das Relações Exteriores nomeou uma embaixadora, Christine Fages, como coordenadora da força-tarefa interministerial sobre o Ebola. O presidente François Hollande também ordenou a criação de um centro de tratamento de Ebola, que terá um orçamento de € 70 milhões para criar a infraestrutura contra um eventual surto. 

Também no Reino Unido providências foram tomadas. Nesta quarta uma reunião de crise foi comandada pelo primeiro-ministro, David Cameron. De acordo com a rede de TV pública BBC, o governo britânico pretende enviar 750 militares, três helicópteros e um navio a Serra Leoa - um dos epicentros da epidemia -, onde um centro de controle e tratamento do Ebola será criado.

De acordo com modelos estatísticos criados por pesquisadores da Universidade Northeastern, de Boston, a França é, atrás de Gana, o segundo país mais suscetível a registrar casos da doença até o fim de outubro, com 20% de chances. O indicador leva em conta as relações - como ligações aéreas - entre os países e a região da África mais afetada pela doença. "Desde o início de setembro, a probabilidade de ver um caso aparecer nos países que têm fortes vínculos com a África Ocidental, como a França ou a Bélgica, aumenta constantemente", afirmou ao jornal Le Figaro Alessandro Verpignani, um dos autores do estudo.

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