Fabrice Coffrini/Pool via Reuters/File Photo
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OMS diz que imunidade de rebanho não é 'salvação' da pandemia

A entidade aponta que somente 10% da população mundial já desenvolveu resposta imune à covid-19, o que está longe do necessário para parar transmissão do vírus

Mílibi Arruda, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2020 | 08h49

O diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), Michael Ryan, afirmou nesta terça-feira, 18, que o mundo está longe do nível de imunidade necessário para parar a transmissão de covid-19 e isso não deve ser visto como forma de solucionar a pandemia.

“Precisamos focar no que realmente podemos fazer para suprimir a transmissão e não viver na esperança de que a imunidade de rebanho seja nossa salvação. No momento, isso não é uma solução”, afirmou Ryan durante coletiva de imprensa. 

Ele explicou que, embora alguns países tenham mais pessoas que desenvolveram resposta imune ao novo coronavírus (Sars-CoV-2),  "não há dúvidas" de que nenhum está perto de atingir a chamada imunidade de rebanho. 

Segundo a OMS, esse conceito normalmente usado para estabelecer qual é a parcela mínima da população que deve ser vacinada para que a disseminação do vírus pare indiretamente, foi aplicado na pandemia para se referir a quantas pessoas devem ser infectadas para frear a transmissão.

“O que sabemos dos estudos atualmente é que menos de 10% da população tem evidência de anticorpos contra o Sars-CoV-2”, apontou a líder técnica da resposta à pandemia da entidade, Maria Van Kerkhove.

Ela afirmou que essa porcentagem pode chegar a 25% em alguns grupos mais expostos - como profissionais da saúde - ou em locais que lidam com transmissão intensa do vírus. Ainda assim, ressaltou que a maior parte da pessoas permanece suscetível à doença.

A líder técnica disse que a OMS já sabe que pessoas infectadas por covid-19 produzem anticorpos neutralizantes para a doença. Porém, a entidade ainda não definiu quanto dura essa imunização.

Também na coletiva, o diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, voltou a criticar países que fecham acordos unitários para fornecimento de vacinas, colocando interesses nacionais à frente de um esforço conjunto para combate à pandemia.

Ele declarou que enviou uma carta a todos os 194 Estados-membros da organização pedindo que se unissem à iniciativa Covax, voltada à compra e distribuição coletivas de imunizantes.

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