OMS é obrigada a retirar funcionários de Serra Leoa

Medida foi tomada após um dos membros da equipe da organização ser contaminado pelo Ebola

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2014 | 21h08

A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi obrigada nesta terça a retirar de um de seus centros de tratamento de Serra Leoa todos os funcionários, depois que um deles foi contaminado pelo vírus Ebola. A retirada é vista como um sinal da falta de controle sobre a doença e um balde de água fria na entidade, que tem criticado empresas aéreas por cancelar voos à África.

Até esta terça, pelo menos 1,4 mil pessoas já tinham morrido por causa da doença, o que obrigou a OMS a deslocar 400 funcionários para Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria. Ontem, autoridades de saúde nigerianas disseram que o vírus está sob controle no país até o momento, embora a OMS não confirme o fim do surto em nenhum local. No fim de semana, a República Democrática do Congo confirmou novo surto, que não está relacionado com os demais países.

Por enquanto, a OMS admite que o vírus já matou desde março 120 médicos e enfermeiras. O esvaziamento da unidade em Serra Leoa, uma das duas que fazia testes de sangue na região, ocorreu após um epidemiologista senegalês ser identificado com a doença, o primeiro da OMS a ser contaminado.

"Trata-se de uma medida temporária", garantiu a OMS. Já em seus limites, a organização ainda precisa agir no Congo, onde a doença ganha terreno. No domingo, o governo local indicou dois mortos pela doença e, ontem, a ONU já admitia 13, além de possíveis novos casos. A entidade Médicos Sem Fronteira reconheceu ontem que, com o avanço do vírus, está sem médicos para enviar ao Congo.

Crise. Na Libéria, o governo registrou 200 novos casos em três dias, a maioria na capital, Monróvia. A contaminação ocorreu justamente nos bairros em quarentena e protegidos pelo exército. O governo ainda admitiu fuga de funcionários públicos, por causa do vírus, o que fez a presidente Ellen Johnson ameaçar demissões ou suspensão de salários, caso eles não voltem.

Nesta terça, a British Airways ainda suspendeu voos à Libéria até o fim do ano. Até agora o Reino Unido tem um infectado pelo Ebola, que iniciará tratamento experimental. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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