OMS elabora normas para evitar mortes em cirurgias

Só a anestesia geral, em algumas regiões da África Subsaariana, mata um em cada 150 pacientes

EFE,

24 de junho de 2008 | 20h10

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que elaborou uma lista com novas normas de segurança, destinada a todas as equipes cirúrgicas, para reduzir as complicações e as mortes em cirurgias maiores. Entre 0,4% e 0,8% das operações cirúrgicas maiores se complicam e causam danos permanentes ou a morte dos pacientes nos países industrializados, taxa que aumenta para entre 5% e 10% no mundo em desenvolvimento.   Safe Surgery Saves Lives   As novas normas, recém divulgadas pela OMS, pretendem tornar mais seguras as 234 milhões de cirurgias maiores que acontecem todos os anos no mundo.   A OMS está preocupada porque, segundo vários estudos, nos países industrializados ocorrem complicações graves em entre 3% e 16% das intervenções cirúrgicas.   Só a anestesia geral, em algumas regiões da África Subsaariana, mata um em cada 150 pacientes. A lista de comprovação de normas de segurança, que estará disponível para as equipes cirúrgicas, identifica três períodos: o momento prévio à administração da anestesia; o momento prévio à incisão, e o momento prévio ao abandono da sala de cirurgia.   Em cada uma delas, um coordenador encarregado da lista deve confirmar que todas as tarefas pertinentes foram completadas antes de dar prosseguimento à cirurgia.   Como exemplo, no teste pré-operatório (antes da anestesia), são repassadas as alergias conhecidas do paciente e se confirma o ponto de incisão; na última etapa, são contados os instrumentos, as gazes e as agulhas.   "Os traumatismos e os óbitos evitáveis de origem cirúrgica estão gerando uma crescente preocupação", declarou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.   Chan acrescentou que "utilizar esta lista de comprovação é a melhor maneira de reduzir os erros cirúrgicos e melhorar a segurança do paciente".   Os estudos realizados sugerem que metade das complicações poderia ser evitada. A iniciativa, intitulada "Práticas cirúrgicas seguras salvam vidas", "tem como meta resolver esse problema aumentando os níveis de exigência pelos pacientes em qualquer lugar", disse Atul Gawande, cirurgião e professor da Universidade de Harvard (Estados Unidos) e que coordenou a elaboração da lista.   Segundo os resultados preliminares obtidos de mil de pacientes que participaram de oito iniciativas piloto realizadas em várias partes do mundo, a utilização da lista quase dobra as probabilidades de um paciente receber atendimento cirúrgico conforme as normas pertinentes.   A implantação deste instrumento nos centros piloto aumentou a adesão às normas de segurança de 36% para 68%, e chegou até 100% em alguns casos.   A OMS divulgará nos próximos meses os resultados definitivos da experiência piloto.

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