Alex Plavevski/EPA/EFE
Alex Plavevski/EPA/EFE

OMS encoraja países a terem uma 'preparação agressiva' contra coronavírus

Número crescente de nações que registram casos preocupa entidade, bem como a pouca ação de algumas diante da ameaça; doença soma mais de 95 mil casos ao redor do mundo e mais de 3,2 mil mortes

Ludimila Honorato, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 14h38

SÃO PAULO - A principal mensagem da Organização Mundial da Saúde a todos os países que enfrentam a epidemia do coronavírus é: "não desistam". Foi esse o tom que norteou a coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira, 5, em que foram anunciados 95.265 casos da doença no mundo e 3.281 mortes. Diante disso, a entidade encoraja as nações a adotarem uma "preparação agressiva".

Embora alguns países tenham tido resultados promissores — exemplo da China, que parece estar próxima da estabilidade, e da Coreia do Sul, onde o número de casos também parece estar diminuindo — o crescente número de nações que registram casos preocupa a entidade.

"Essa epidemia é uma ameaça para todos os países, ricos e pobres. Mesmo os países de alta renda devem esperar surpresas. A solução é a preparação agressiva", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

"Estamos preocupados que alguns países não tenham levado isso a sério o suficiente ou tenham decidido que não podem fazer nada. Estamos preocupados que em alguns países o nível de comprometimento político e as ações que demonstram esse comprometimento não correspondam ao nível da ameaça que todos enfrentamos", acrescentou.

Com tom incisivo, Ghebreyesus falou diversas vezes que "não é hora de desistir" e que é preciso um comprometimento de políticas sustentáveis para conter o vírus Covid-19, algo em que a entidade acredita ser possível mediante uma ação "coletiva, coordenada e abrangente".

Na China, a OMS atualizou que foram registrados 143 casos nas últimas 24 horas, a maioria na província de Hubei, e oito províncias chinesas não registraram casos nos últimos 14 dias. Fora do país asiático, são 2.055 casos do novo coronavírus em 33 países, e cerca de 80% deles continuam vindo de três países. "Sabemos que as pessoas estão com medo, e isso é normal e apropriado", disse Ghebreyesus, reforçando que o medo pode ser contido por meio de informações adequadas.

Comportamento do coronavírus

A OMS não tem uma visão muito clara sobre se o vírus se comporta de formas diferentes em climas e temperaturas diversos, mas sabe-se que ele está presente em condições variadas. "Não temos razão para acreditar que esse vírus vai se comportar diferente em diferente temperatura, e é por isso que nós queremos uma ação agressiva de todos os países para garantir que vamos prevenir a transmissão", afirmou Maria Van Kerkhove, líder técnica do programa de emergências da entidade.

A variedade de sintomas e mesmo a ausência deles é outro fator que vem sendo investigado por especialistas, segundo ela. A possibilidade de uma pessoa infectada pelo vírus, mas sem sintomas, transmiti-lo existe, mas a OMS não acredita que essa seja a principal forma de transmissão, "senão, teríamos um número maior de casos".

Exemplo disso é o Brasil, onde o quarto caso confirmado da doença foi de uma jovem de 13 anos que testou positivo, mas não tinha características sintomáticas. A representante da OMS reforçou que é preciso rastrear os contatos e monitorar pessoas pré-sintomáticas.

Segundo Maria, estudos estão em andamento para saber sobre quantas pessoas infectadas desenvolvem ou não sintomas e o grau de transmissão de quem é assintomático. "Estamos aprendendo todo dia sobre esse vírus", afirmou.

Outro fator que tem gerado preocupação é da possível transmissão do vírus para animais. Em Hong Kong, um cachorro testou positivo para coronavírus, não apresentou sintomas e está bem, segundo a OMS, sendo o único caso conhecido. A entidade ainda não tem evidências de que o Covid-19 seja transmitido de humanos para pets e vice-versa.

"Estamos trabalhando com autoridades em Hong Kong, com parceiros que estão observando o cachorro, que têm estado em residências de pessoas infectadas pelo Covid-19", disse Maria Van Kerkhove.

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