José Maria Tomazela/AE
José Maria Tomazela/AE

OMS esclarece que vírus suíno encontrado na China não é novo

Entidade afirma que a situação da cepa é monitorada desde 2011, e genótipo G4 é predominante no país desde 2016

Guilherme Bianchini, especial para o Estadão

01 de julho de 2020 | 15h27

A Organização Mundial da Saúde (OMS) esclareceu nesta quarta-feira, 1.º, que o vírus encontrado em porcos na China não é novo, e está sob vigilância das autoridades de saúde desde 2011. De acordo com a entidade, a cepa do influenza conhecida como G4 é o genótipo dominante na população suína chinesa desde 2016. Apesar de admitir a possibilidade de transmissão para humanos, a organização destacou que é necessário obter mais dados para chegar a conclusões detalhadas sobre o assunto.

“A publicação é recente, mas o vírus não é novo. Há uma taxa alta de soroprevalência nos trabalhadores de granjas suínas, mas é preciso fazer uma revisão do artigo e dos dados. Existem diferentes vírus de gripe aviária com potencial pandêmico. Mas é importante tranquilizar as pessoas porque não é um novo vírus, e ele está sob vigilância constante”, afirmou o diretor do programa de emergências da entidade, Michael Ryan.

Diretora técnica da OMS, Maria Van Kerkhove acrescentou que a chamada transmissão zoonótica — vírus de animais que circulam entre humanos — liga o alerta para a necessidade de se aprofundar em outros temas essenciais em meio à pandemia do novo coronavírus. Segundo a infectologista, a OMS trabalha em parceria com outras instituições para detectar e reagir de forma rápida a potenciais zoonoses.

"Fazemos a vigilância de animais de produção, domésticos e profissionais que trabalham com esses animais, para garantir que identifiquemos rapidamente um vírus com potencial de infecção entre humanos. Como o Mike (Ryan) disse, esse vírus não é novo, faz parte das nossas atividades de vigilância da influenza desde 2011. Essa área é importante e nos mostra que precisamos estar focados, mesmo com a covid-19", disse Van Kerkhove.

De acordo com Ryan, a estrutura existente para combater os diferentes tipos do vírus influenza permite que as ações sejam ágeis e eficazes caso a cepa encontrada na China apresente maiores riscos. "Monitoramos diferentes candidatos a vacinas para acelerar o desenvolvimento. Até então, nenhum vírus tinha mostrado potencial de rápida disseminação".

Alerta sobre reabertura

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citou os exemplos de Itália e Espanha para ressaltar que é possível controlar a covid-19 em todos os países, mesmo onde o estágio da pandemia é mais grave. Para obter sucesso, porém, é necessário adotar medidas abrangentes e simultâneas, sem recorrer a uma abordagem fragmentada.

"Todas as medidas são necessárias. Países que não utilizarem todas as ferramentas disponíveis enfrentarão dificuldades. Mas uma das lições da pandemia é que não importa a situação do país, sempre dá para revertê-la. Nunca é tarde demais. Itália e Espanha foram o epicentro em março, mas ambos controlaram o vírus com uma combinação de liderança, humildade e participação ativa de toda a sociedade, além da implementação de uma abordagem abrangente, que é a forma mais rápida de sair da pandemia", explicou Tedros.

Questionado sobre a reabertura de bares e boates em alguns países, Michael Ryan alertou para os riscos da medida em lugares onde ainda ocorre transmissão comunitária do coronavírus. O diretor destacou que a disseminação do vírus está diretamente associada ao comportamento humano, e as ações de cada indivíduo são cruciais para lidar com o atual cenário.

"Ou facilitamos a transmissão ou agimos contra ela. Grandes aglomerações, em bares, clubes, eventos sociais, onde indivíduos assintomáticos estão falando alto e produzindo gotículas, podem disseminar a doença. O vírus leva em consideração proximidade, duração e intensidade. As pessoas precisam conhecer a taxa de transmissão na sua própria área e tomar as medidas adequadas. Gerenciamos riscos e tomamos decisões, faz parte da natureza humana. Há a responsabilidade governamental, mas também há a responsabilidade individual de controlar e gerenciar os próprios riscos", afirmou Ryan.

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