OMS está longe da meta para tratamento da aids

Com um déficit de US$ 18 bilhões até o ano que vem para lidar com a aids e sem ter conseguido atingir a meta de oferecer tratamentos para 3 milhões de pessoas - a marca atual não é nem metade disso, mas 1,3 milhão -, a Organização Mundial da Saúde (OMS) admite que lidar com a epidemia exigirá esforços que até os especialistas subestimaram. Mesmo assim, a entidade mantém a promessa de atingir a meta de dar remédios a todos até 2010. Em 2003, a OMS adotou a nova estratégia de combate à aids e baseou sua iniciativa na experiência brasileira de fornecer o tratamento a todos que precisam. A marca atual, de 1,3 milhão de pessoas atendidas com medicamentos de graça, é três vezes maior que o registrado em 2003. Na África, apenas 17% dos que necessitam do tratamento recebem algum dos remédios. A região também tem um déficit de 1 milhão de enfermeiras e médicos. Em porcentuais, a América Latina é a região onde os pacientes têm maior acesso entre os países em desenvolvimento: 315 mil pessoas recebem os remédios sem arcar com os custos. As estimativas apontam que existem 1,8 milhão de latino-americanos com HIV. Só na região, 200 mil novos casos foram registrados em 2005, com 66 mil mortes. Até 2010, pelos planos originais da agência da ONU, os 465 mil doentes da América Latina que necessitam do tratamento receberiam os remédios de graça. O Brasil é responsável por boa parte desse desempenho. No que se refere aos pacientes contaminados por agulhas infectadas, o País é responsável por 80% de todo o tratamento hoje no mundo e atende a 30 mil pessoas. Os outros 6 mil beneficiados estão em 45 países. Se em números absolutos o Brasil é o que apresenta maior acesso ao tratamento, em porcentual o País já é superado por outros. O sistema no Brasil dá cobertura para 83% dos pacientes com aids, ante 84% na Venezuela e 100% em Cuba.

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