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Wilton Junior/Estadão
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OMS estima que número de mortes por covid-19 no mundo é até 3 vezes maior que dados oficiais

Samira Asma, vice-diretora-geral de dados da organização, estima que a pandemia causou de 6 a 8 milhões de mortes diretas e indiretas até o momento

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2021 | 09h29

GENEBRA - O excesso de mortalidade causado pela pandemia é até três vezes maior do que as mortes atribuídas à covid-19 desde que os primeiros casos foram detectados na China no final de 2019, indicou a Organização Mundial de Saúde (OMS) nesta sexta-feira, 21.

Durante a publicação de seu relatório anual sobre estatísticas mundiais de saúde, a OMS indicou que a covid-19 causou pelo menos três milhões de mortes diretas ou indiretas no ano passado. No entanto, o número oficial de mortes atribuídas ao vírus em 2020 é de cerca de 1,8 milhão.

"Isso corresponde a estimativas semelhantes, que previam que o número total de mortes seria pelo menos 2 a 3 vezes maior" do que o número oficial de mortos de covid-19, disse Samira Asma, vice-diretora-geral de dados da OMS, em uma entrevista coletiva.

De acordo com seus cálculos, a especialista estima que a pandemia causou "cerca de 6 a 8 milhões" de mortes diretas e indiretas até o momento.

A OMS está trabalhando com os diferentes países para descobrir qual é o real número de óbitos na pandemia e, assim, "poder estar melhor preparada para a próxima emergência", disse Samira Asma.

Embora as mortes diretamente relacionadas à covid-19 sejam "um indicador-chave para acompanhar a evolução da pandemia", explica a OMS no relatório, muitos países não têm nenhum sistema de registro do estado civil, portanto, carecem de estatísticas precisas e completas, especialmente no que diz respeito às mortes e suas causas.

Assim, o excesso de mortalidade não pode ser medido em todos os lugares, pois faltam dados para alguns países, mas a OMS estima que em 2020 houve um superávit de mortes entre 1,34 e 1,46 milhão nas Américas e entre 1,11 e 1,21 milhão na região europeia.

Uma avaliação recente dos sistemas de informação em saúde realizada em 133 países revelou que, em geral, a região europeia registrou 98% do total de mortes ocorridas no continente, enquanto na região africana apenas 10% das mortes foram registradas.

Em geral, “apenas 40% dos países do mundo registram pelo menos 90% das mortes, o que significa que um número significativo de países não consegue notificar as mortes ou suas causas”, explicou Samira Asma.

A diferença entre o que os especialistas chamam de "excesso de mortalidade" ou "excesso de mortes" e o número oficial de mortes ligadas ao covid-19 deve-se a vários fatores.

Alguns países relatam mortes tardias e também há pessoas que morrem sem ter feito nenhum teste de diagnóstico. Outros morrem de outras doenças que não foram tratadas, por medo de ir ao posto de saúde ou por causa das medidas de confinamento.

"A sobremortalidade nos dá uma imagem melhor, pois é responsável por esses efeitos diretos e indiretos", disse William Msemburi, analista do departamento de dados da OMS.

Globalmente, essas estatísticas mostram que "a pandemia de covid-19 constitui uma grande ameaça à saúde e ao bem-estar das populações em todo o mundo", sublinhou Samira Asma.

Além disso, de acordo com as primeiras estatísticas, a covid-19 fez com que a expectativa de vida em alguns países caísse entre dois e três anos, explicou a especialista./AFP

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