OMS, governos e empresas montam esquema pra conter gripe

Na OMS, uma sala de comando, conectada a todo o mundo, foi estabelecida; países fazem estoque de antivirais

Jamil Chade, especial para o Estado ,

27 Abril 2009 | 18h23

Governos, empresas e a Organização Mundial da Saúde (OMS) montam um esquema de guerra para lidar com a ameaça de uma pandemia. Em países como a França, Suíça e Reino Unido, os governos vem mantendo estoques de antivirais em depósitos militares, altamente protegidos. Na OMS, uma sala de comando, conectada a todo o mundo, foi estabelecida. Diplomacias de todo o mundo ainda negociam um esquema para garantir que amostras do novo vírus e eventuais vacinas sejam distribuídas a todos.

 

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" Estamos em atividade 24 horas por dia e não sabemos até quando isso vai durar" , afirmou ao Estado o chefe da sala de comanda da OMS, Mike Ryan. " Nesse momento, temos de tomar todas as medidas de cuidado que possam existir", afirmou.

 

Apesar da presença de seguranças para evitar que jornalistas, diplomatas ou qualquer outra autoridades tenha acesso à sala de comando, a OMS fechou todas as janelas do local. O Estado, porém, conseguiu entrar na sala. Telões com imagens de várias partes do globo se espalham pelo local. Um sistema de alerta ainda foi criado para que cada notícia ou mesmo um simples rumor de um novo caso seja identificado e notícias sejam verificadas com especialistas.

 

O local ainda é usado para teleconferência entre especialistas e autoridades de todo o planeta. Da sala de comando, a OMS pode entrar em contato com qualquer governo no mundo.

 

Na avaliação de Ryan, nenhuma região está fora do alcance do vírus. Questionado se a América Latina poderia estar mais vulnerável que outras regiões, pela proximidade com o México, o chefe da sala de comando deixou claro que a questão não é a proximidade física, mas o fluxo de pessoas. " O vírus irá onde as pessoas o levarem. Trata-se de um problema de saúde humana. Se as estradas entre o México e os países ao sul são ruins e se a floresta impede uma maior circulação, então o perigo de uma contaminação é menor. Como sabemos, o fluxo de pessoas entre o México e os Estados Unidos é maior que o fluxo ao sul ", disse Ryan.

 

Entre os governos, a questão que sempre se coloca é sobre quais seriam as prioridades na distribuição de antivirais. A França não divulgou em quais bases militares estão os toneis com os remédios em forma de pó.

 

As próprias empresas que fabricam os remédios evitam dizer onde estão os locais de produção, temendo que em um eventual pânico pessoas e mesmo o governo invadam as fábricas em busca dos remédios.

 

Diplomacia

 

A pandemia ainda envolve uma disputa diplomática. Governos de países emergentes querem garantias de que as amostras dos vírus sejam compartilhados com todos os governos. Brasil, Malásia, Indonésia e outros emergentes iniciaram uma batalha para garantir que o vírus da gripe aviária seria disponibilizado a todos.

 

Governos se queixam de que a OMS exige que uma amostra de um vírus, em qualquer parte do mundo, seja entregue gratuitamente à entidade. Mas a produção de vacinas nos países ricos são feitas a partir dessas amostras. As vacinas, então, são vendidas aos países emergentes. "Os riscos de pandemias e a origem delas mudam de forma mais rápida que a capacidade das diplomacias de organizar novos acordos", admitiu um diplomata latino-americano.

 

Rio

 

Técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abordaram os passageiros mexicanos e americanos, que desembarcaram nesta segunda-feira, 27, pela manhã no Aeroporto Internacional do Rio Tom Jobim (Galeão). De acordo com os brasileiros, que chegaram em voos vindos dos Estados Unidos, esta foi a única medida notada pelos viajantes para impedir a chegada do vírus influenza suína no País. O monitoramento discreto dividiu opiniões entre os viajantes.

 

"Lá eles estão mais rigorosos do que os agentes de saúde aqui. Vi três funcionários da Anvisa, mas eles não estavam fazendo nada", disse o dentista Renato Abreu, de 46 anos, que voltou com a família em um voo vindo de Miami. Já o diretor do Hospital de Geriatria do Rio, o médico Marcelo Tinoco, de 43, elogiou a ação da Anvisa. "Os agentes estão corretos ao agir sem histeria, de forma seletiva e discreta. Não é necessário neste momento o uso de máscaras ou luvas. No meu voo, foram abordados mexicanos e americanos, que moravam no Arizona, Estado que faz fronteira com o México", afirmou.

 

Pouco antes do voo da American Air Lines proveniente de Houston aterrissar, a passageira Renata Gibrail, de 30 anos, presenciou a abordagem aos passageiros do México. "Um comissário pediu que os passageiros mexicanos se reportassem ao oficial na parte da frente da aeronave. Ao desembarcar, encontramos os agentes da Anvisa uniformizados e identificados com um crachá", contou Renata.

 

O piloto da American Airlines Samuel Mason, que veio de Nova York, garantiu que sua tripulação estava orientada para entrar contato com as autoridades brasileiras, caso algum passageiro apresentasse os sintomas da gripe. "A tripulação está totalmente orientada para isso. Até o momento não foi necessário, mas estamos atentos", afirmou Mason ao desembarcar.

 

Nenhum dos passageiros relatou ter escutado no aeroporto os avisos sonoros sobre os sintomas da gripe suína, que a Anvisa afirmou ter começado a veicular no domingo. "Nos Estados Unidos, a gripe suína é a manchete mais lida em todos os jornais online. Aqui a divulgação ainda é tímida", avaliou a estudante Juliana Fidélis, de 17 anos, que chegou de Houston. A estudante Úrsula Moreira, de 19 anos, apontou descontrole no monitoramento. "Nos Estados Unidos, a população está bem informada. Em uma escola média, várias alunos estão infectados. Aqui a coisa ainda está descontrolada", opinou.

 

(Com Pedro Dantas)

 

Atualizado às 19 horas para acréscimo de informações.

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