Werther Santana/Estadão - 27/07/2018
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OMS monitora ao menos 169 casos de hepatite aguda desconhecida; há relato de uma morte

Notificações, envolvendo crianças e jovens de até 16 anos, se concentram na Europa, Estados Unidos e Israel

Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2022 | 13h34

Autoridades internacionais investigam o aumento de casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças e jovens de até 16 anos. Relatadas inicialmente no Reino Unido até 8 de abril - onde ainda se concentram mais de cem casos - as notificações já atingem outros países da Europa, além dos Estados Unidos e Israel. Até sexta-feira, 21, eram pelo menos 169 casos em ao menos treze países, segundo último boletim divulgado neste sábado, 22, pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Pelo menos uma morte foi relatada, porém, não há detalhes sobre o histórico da vítima.

Além do Reino Unido e Irlanda do Norte (114), foram notificados casos na Espanha (13), em Israel (12), nos Estados Unidos (9), na Dinamarca (6), na Irlanda (menos de 5), na Holanda (4), na Itália (4), na Noruega (2), na França (2), na Romênia (1) e na Bélgica (1).

Até o momento, dezessete crianças necessitam de transplante de fígado. Conforme a OMS, a hepatite é uma inflamação que atinge o fígado causada por uma variedade de vírus infecciosos (hepatite viral) e agentes não infecciosos. A infecção pode levar a uma série de problemas de saúde, que podem ser fatais. Os vírus comuns que causam hepatite viral aguda (vírus da hepatite A, B, C, D e E) não foram detectados em nenhum desses casos. 

Embora a síndrome atinja pacientes de até 16 anos de idade, a maioria dos casos está na faixa de 2 a 5 anos. O quadro das crianças europeias é de infecção aguda. Muitos apresentam icterícia, que, por vezes, é precedida por sintomas gastrointestinais - incluindo dor abdominal, diarreia e vômitos -, principalmente em pequenos de até 10 anos. A maioria dos casos não apresentou febre.

Embora o adenovírus seja atualmente uma hipótese como causa subjacente, ele não explica totalmente a gravidade do quadro clínico. A infecção com adenovírus tipo 41, o tipo de adenovírus implicado, não foi previamente associada a tal apresentação clínica. 

"O adenovírus foi detectado em pelo menos 74 casos e, do número de casos com informações sobre testes moleculares, 18 foram identificados como F tipo 41. O SARS-CoV-2 foi identificado em 20 casos dos testados. Além disso, 19 foram detectados com uma co-infecção por SARS-CoV-2 e adenovírus", informou, em nota.

Os adenovírus são patógenos - organismos que são capazes de causar doença em um hospedeiro - comuns que geralmente causam infecções autolimitadas. Eles se espalham de pessoa para pessoa e mais comumente causam doenças respiratórias, mas dependendo do tipo, também podem causar outras doenças, como gastroenterite (inflamação do estômago ou intestinos), conjuntivite (olho rosa) e cistite (infecção da bexiga). 

Segundo a OMS, existem mais de 50 tipos de adenovírus imunologicamente distintos que podem causar infecções em humanos. O adenovírus tipo 41 geralmente se apresenta como diarreia, vômito e febre, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios.

O potencial surgimento de um novo adenovírus, bem como a coinfecção por covid-19, precisam ser mais investigados. As hipóteses relacionadas aos efeitos colaterais das vacinas conrta o novo coronavírus não são levada em consideração atualmente, pois a grande maioria das crianças afetadas não está com idade elegível para ser imunizada. Outras explicações infecciosas e não infecciosas precisam ser excluídas para avaliar e gerenciar completamente o risco, conforme a OMS.

Em caso de suspeita, recomenda-se que sejam realizados testes de sangue (com experiência inicial de que o sangue total é mais sensível que o soro), soro, urina, fezes e amostras respiratórias, bem como amostras de biópsia hepática (quando disponíveis), com caracterização adicional do vírus, incluindo sequenciamento. 

Vale reforçar que medidas simples de prevenção para adenovírus e outras infecções comuns envolvem lavagem regular das mãos e higiene respiratória.

Além da OMS, países que registraram casos também estão monitorando a situação. A prioridade é determinar a causa desses casos para refinar ainda mais as ações de controle e prevenção.

Conforme a entidade, ainda não está claro se houve um aumento nos casos de hepatite ou um aumento na conscientização sobre notificações. Embora o adenovírus seja uma hipótese possível, as investigações estão em andamento para descobrir a origem da infecção. 

Por enquanto, não há orientação para restringir viagens aos países com casos da doença.

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