OMS não vê sinais de transmissão humana em aparição da gripe aviária

Três pessoas na China contraíram o vírus, duas delas morreram e a outra está em estado crítico

Michael Martina e Lanhee Lee, Reuters

01 de abril de 2013 | 12h49

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que ainda não surgiu nenhuma evidência para mostrar que um tipo de gripe aviária que matou dois homens chineses possa ser transmitida entre pessoas. Dois homens de Xangai, com 87 e 27 anos, adoeceram no final de fevereiro. Uma mulher na província de Anhui também contraiu o vírus no início de março e está em estado crítico.

"Neste momento, estes três são casos isolados, sem evidência de transmissão entre humanos", afirmou o representante da OMS na China, Michael O'Leary, a jornalistas, nesta segunda-feira. A Comissão Nacional de Saúde e Planejamento Familiar da China confirmou no domingo que os três casos eram do vírus H7N9, que não era previamente conhecido por infectar humanos.

"Um novo vírus tende a ser mais virulento no começo. Ou vai se tornar um vírus verdadeiramente humano, caso em que temos que começar a lidar com ele regularmente, ou vai ser principalmente um vírus animal com apenas um caso humano raro", disse O'Leary.

Alguns chineses se queixaram de que as autoridades demoraram muito para anunciar as mortes no domingo. O'Leary afirmou que o governo agiu corretamente, já que as mortes precisavam ser investigadas.

"A China, na verdade, há um bom tempo vem relatando prontamente e abertamente. Acho que a Sars foi um ponto de virada globalmente para esse tipo de coisa. Não apenas na China", disse.

Ele se referia à epidemia de 2003 da Síndrome Respiratória Aguda Grave, que causou um escândalo quando os números oficiais de casos foram dramaticamente revisados para cima posteriormente. A Sars surgiu na China e matou cerca de um décimo das 8.000 pessoas infectadas em todo o mundo.

Pessoas que compravam aves em um mercado de Xangai nesta segunda-feira disseram que estavam preocupadas com os incidentes tornados públicos apenas algumas semanas após as mortes, e afirmaram que esperavam que o governo fosse rápido em relatar novos casos.

"No futuro, não importa o que seja, o governo deve tornar público rapidamente e deixar que as pessoas saibam mais cedo. Dessa forma, elas podem se prevenir", disse Zhang Zhili, de 60 anos.

Muitos usuários do microblog chinês conhecidos como "Weibo" disseram suspeitar que o mais recente surto de gripe aviária era relacionado aos mais de 16.000 porcos mortos encontrados recentemente despejados em rios nos arredores de Xangai.

O'Leary disse que, embora os porcos mortos fizessem parte da investigação geral, não havia nenhuma evidência de qualquer conexão. Não se sabe como as três vítimas foram infectadas. O vírus não parece altamente contagioso porque nenhuma anormalidade de saúde foi detectada entre 88 dos contatos próximos das vítimas, disse a comissão de saúde.

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