OMS pede fim da estigmatização para poder lutar contra a aids no mundo

Diretora geral lembrou que tratamento antirretroviral só é acessível a um terço dos soropositivos

30 Novembro 2010 | 19h06

GENEBRA - A saúde, a aids e os direitos humanos estão irremediavelmente unidos, e a luta contra o vírus HIV não será possível sem colocar fim à estigmatização dos portadores da doença, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira, 30.

"Qualquer resposta ao HIV necessita que se garanta o respeito aos direitos humanos. O direito à saúde é básico para atuar contra o vírus", assinalou a diretora geral do órgão, Margaret Chan, em declaração à véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids, nesta quarta, 1º.

Chan lembrou que atualmente os tratamentos antirretrovirais só são acessíveis a um terço das pessoas que precisam deles. "Apesar da expansão dos programas para evitar a transmissão do vírus HIV de mães para filhos, em 2009 só 53% das mulheres grávidas contaminadas receberam tratamento", acrescentou.

"Os grupos com maior risco de infecção, como usuários de drogas injetáveis, profissionais do sexo, homossexuais e transexuais, são os que têm menos acesso à prevenção e ao tratamento", advertiu Margaret.

A diretora da OMS ressaltou que "o estigma e a discriminação minam os esforços para ajudar no combate a aids". "O medo de serem rechaçados por familiares e amigos, marginalizados em suas comunidades ou verem negada uma oportunidade de emprego ou outros serviços são razões para que as pessoas não façam testes de aids ou para que não procurem serviços de tratamento", afirmou.

Ela destacou ainda que "ao não se protegerem os direitos humanos, cresce a vulnerabilidade, o que leva a epidemias de HIV. Na África Subsaariana, vivem 80% de todas as mulheres e meninas infectadas pelo vírus. No Leste Europeu, mais de 50% dos casos se dão entre usuários de drogas injetáveis. E na França, Holanda e Espanha, um terço das novas infecções se concentra entre os imigrantes".

Margaret denunciou, entre outras violações dos direitos humanos que impedem a luta contra a aids, o que ocorre em cerca de 80 países que criminalizam as relações homossexuais e em 6 que castigam o ato com pena de morte.

"Em outros 50 países, impõem-se restrições para viagens ou residência a portadores do HIV, e em muitas nações os usuários de droga são mandados para a prisão", completou a diretora geral da OMS.

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