OMS propõe circuncisão para reduzir risco de infecção pelo HIV

Cirurgia diminui em 60% o risco de contágio, razão pela qual OMS deve promovê-la em países africanos

Efe

20 Julho 2010 | 17h13

VIENA - A circuncisão reduz em 60% o risco de infecção pelo vírus HIV, razão pela qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) deve promover a cirurgia em vários países africanos, embora reconheça que não é uma solução definitiva contra a doença.

A proposta foi feita nesta terça-feira, 20, em Viena, pelo diretor regional da OMS em Brazzaville (Congo), o ugandense David Okello, que disse haver "evidências científicas suficientes para promover a circuncisão como um dos métodos para prevenir a aids".

Okello alertou que a cirurgia, cuja operação custa aproximadamente US$ 50, não é um "preservativo natural" e que a intervenção cirúrgica deve ser acompanhada por um intenso trabalho de esclarecimento, principalmente sobre o uso de preservativos.

A organização americana Population Services International (PSI), que faz circuncisões, já operou cerca de 60 mil homens desde 2008 em países africanos como Quênia, Suazilândia, Zâmbia, Botsuana e Zimbábue.

Pesquisas posteriores feitas com 6 mil homens revelaram que a intervenção reduziu o risco de infecção pelo vírus HIV. No entanto, as mulheres mantêm o mesmo risco de exposição à doença se tiverem relações sexuais sem proteção com homens circuncidados.

O magnata Bill Gates, fundador da Microsoft, também financia uma campanha de circuncisão na África. Em seu discurso na última segunda na Conferência Internacional Aids 2010, Gates falou que "o custo de não fazer nada é muito superior ao dos programas de circuncisão".

Para Krishna Yaffo, diretora do PSI para o HIV, se 80% da população masculina da África Oriental e do Sul fizesse a circuncisão, "seria possível evitar, nos próximos 5 anos, cerca de 4 milhões de infecções" até 2025.

Alcançar esses resultados representaria, segundo Yaffo, "uma economia de despesas de saúde de US$ 20 bilhões no mesmo período".

A iniciativa não está isenta de polêmica, e a organização americana Intact America (IA) faz coro com os críticos do método. "A promoção da circuncisão masculina promove uma mensagem errônea, cria um sentido equivocado de proteção e expõe as mulheres a mais riscos de se infectar com o HIV", declarou em comunicado a diretora do IA, Georganne Chapin.

"Os homens já fazem fila (na África) para ser circuncidados, acreditando que não precisariam mais usar o preservativo", disse Georganne.

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