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OMS quer distribuir 2 bilhões de doses de vacina contra covid-19 até 2021; ação envolve 165 países

Iniciativa global para combater pandemia conta também com entidades filantrópicas e laboratórios que ainda buscam o remédio com eficácia comprovada

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2020 | 14h13

A Organização Mundial da Saúde informou nesta quarta-feira que 165 países estão envolvidos no projeto Covax Facility, uma ação global que pretende garantir acesso rápido, justo e igualitário às vacinas da covid-19, que ainda estão sendo desenvolvidas. O projeto visa o compartilhamento de informações sobre a doença e o investimento na criação antecipada de uma rede, que facilite no futuro a distribuição em escala das vacinas. A meta é distribuir dois bilhões de doses pelo mundo até o final de 2021.

A iniciativa é uma parceria da entidade com a Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi) e a Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi). A Gavi é uma fundação criada por Bill Gates para combater epidemias e facilitar a distribuição de vacinas em países de baixa renda. A Cepi, criada em 2017, é instituição filantrópica para desenvolver vacinas e evitar epidemias. 

"A Covax é a única solução verdadeiramente global para a pandemia da covid-19", disse Seth Berkley, CEO da Gavi. "Mesmo para os países que podem pagar suas próprias doses, fazer parte dessa iniciativa significa garantir uma distribuição igualitária, sem precisar existir uma fila como vimos na pandemia de H1N1. Esse mecanismo representa também um meio de reduzir os riscos associados a candidatos individuais que eventualmente possam criar vacinas sem eficácia."

Um grupo de 75 países já se mostrou disposto a financiar suas próprias vacinas e cerca de 90 nações de baixa rendas querem também colaborar e assim receber doações para poder distribuir as doses - o Brasil faz parte do primeiro grupo, que teria capacidade para arcar com os custos da compra e distribuição. Há representantes de todos os continentes e mais da metade das economias mundiais do G20.

"Esse nível inicial de interesse representa um tremendo voto de confiança na Covax e nosso objetivo comum de proteger as pessoas em todo o mundo", disse o inglês. Richard Hatchett, CEO da Cepi. "A Covax acelerará a disponibilidade de vacinas seguras e eficazes por meio de investimentos iniciais na fabricação e maximizará as chances de sucesso, apoiando um amplo e diversificado portfólio de candidatos a encontrar a vacina. Com a Covas, nossa intenção é vacinar os 20% mais vulneráveis da população de todos os países que participam, independentemente do nível de renda, até o final de 2021. Garantir acesso justo não é apenas uma questão de equidade; é a maneira mais rápida de acabar com esta pandemia ”

O objetivo da Covax é fornecer dois bilhões de doses de vacinas seguras e eficazes até o final de 2021 - é importante deixar claro que as doses só serão distribuídas assim que houver aprovação regulatória e for pré-qualificado na OMS. As vacinas serão entregues igualmente a todos os países participantes, proporcionalmente às suas populações, priorizando inicialmente os profissionais de saúde e expandindo-os para cobrir 20% da população dos países participantes. 

Serão disponibilizadas doses adicionais com base na necessidade de cada país, de acordo também com sua vulnerabilidade. Haverá ainda doses para uso humanitário e de emergência, a fim de lidar com surtos graves antes que eles saiam do controle. 

"A pandemia do COVID-19, como toda crise de saúde, também nos oferece oportunidades", disse Soumya Swaminathan, cientista chefe da OMS. "Uma vacina acessível e acessível a todos nos ajudará a lidar com as desigualdades de saúde sistêmica. Precisamos que todos os países apoiem a Covax para alcançar esse objetivo e pôr fim à fase aguda da pandemia."

O sucesso da iniciativa, no entanto, depende do financiamento dos governos e do compromisso dos fabricantes de vacinas que aceitem participar em uma escala grande o suficiente para fornecer uma solução global. A Covax iniciará agora um processo de consulta com 165 países, para tentar antecipar o pagamento com o compromisso de comprar doses até o final de agosto.

Para garantir os investimentos necessários, a Gavi criou um compromisso antecipado de mercado (AMC) para vacinas em desenvolvimento que forem efetivas contra a covid-19. O primeiro AMC firmado foi um acordo de US$ 750 milhões entre a Gavi e a farmacêutica britânica AstraZeneca para fabricar 300 milhões de doses da vacina que está sendo desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a AMC já arrecadou cerca de US$ 600 milhões, e tem a meta inicial de levantar o total de US$ 2 bilhões em doações que podem vir dos governos e também da iniciativa privada. A Gavi também trabalhará com os países em desenvolvimento para garantir a disponibilidade de suprimentos, e auxiliar no treinamento para alcançar com agilidade especialmente os que são grupo de risco.

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