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OMS quer impostos sobre refrigerantes para reduzir açúcar

Entidade também defende restrição de publicidade infantil; medida deve causar polêmica com exportadores e empresas de alimentos

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

04 Março 2015 | 11h00

Atualizada às 21h30

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou nesta quarta-feira, 4, novas recomendações, insistindo que o açúcar não pode ultrapassar a marca de 10% do consumo diário de energia de uma pessoa, sob o risco de criar sérios problemas de saúde. O Estado apurou que a indústria de alimentos pressionou a entidade por meses para não publicar o documento e chegou a fazer lobby para impedir a adesão de governos. 

O consumo de açúcar na América do Sul teria de ser cortado pela metade para estar dentro dos limites estabelecidos pela OMS. Segundo a entidade, uma pessoa não deveria consumir mais de 50 gramas de açúcar - ou 12 colheres de chá. 

A entidade também indicou que uma redução ainda mais dramática, para apenas 25 gramas por dia - ou seis colheres de chá -, traria vantagens ainda mais claras. Isso representaria um limite de apenas 5% no total de energia consumida por um adulto ou criança. 

A recomendação da OMS não inclui o consumo de frutas e legumes em seus cálculos nem o açúcar presente no leite. Para os especialistas, o valor se refere aos açucares tratados com os monossacáridos, como glucose e frutose adicionados em bebidas e alimentos. 

A proposta aos governos é fruto de um trabalho de 12 meses que incluiu especialistas de todo o mundo, incluindo da Universidade de São Paulo (USP). “Temos evidências sólidas para mostrar que manter o consumo de açúcar abaixo de 10% do consumo de energia reduz os riscos de sobrepeso, obesidade e problemas dentários”, declarou Francesco Branca, diretor da OMS para Nutrição. “Fazer mudanças em políticas nessas áreas será fundamental se governos quiserem atingir suas metas de redução de doenças intransmissíveis.”

Para a OMS, porém, famílias que conseguirem ainda reduzir o consumo a menos de 5% estariam garantindo de forma ainda mais enfática sua condição de saúde. De acordo com a entidade, uma grande parte do consumo de açúcar hoje está “escondida em alimentos processados e que não são vistos normalmente, como doces”. Por exemplo, uma colher de ketchup contém 4 gramas de açúcar. Uma só lata de refrigerante teria 40 gramas de açúcar. Uma pesquisa no supermercado americano indicou que 80% dos produtos contêm açúcar adicionado.
Em apenas uma bebida energética haveria 27 gramas de açúcar, mais da metade da recomendação. Um suco de laranja contaria com 24 gramas, contra 26 para um suco de maçã. 

Impostos. Para a entidade, governos precisam restringir a publicidade para crianças de refrigerantes e de alimentos processados, além de elevar impostos sobre produtos com altos valores de açúcar. Outra medida sugerida é reforçar leis sobre a etiquetagem de produtos para incluir detalhes sobre o volume de açúcar. A OMS também pede que governos e a indústria de alimentos negociem uma redução no volume de açúcar nos alimentos processados. 

Na visão da OMS, essas medidas começam a ser adotadas em alguns países, como Finlândia, França e México, com impostos de até 88%. No caso mexicano, a esperança é de uma queda de 15% no consumo de refrigerantes. Na Hungria, estudos apontam que impostos geraram uma mudança no padrão de consumo e, nos EUA, pesquisas revelam que um aumento de taxas levaria a uma queda no consumo de calorias em 10%.

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